|
Posted: 04 May 2020 12:29 PM PDT
Está em andamento uma série de pesquisas para desenvolver uma vacina contra o novo coronavírus. Foto: Unplash
Com uma mensagem pessoal de palavras fortes, o secretário-geral da ONU, António Guterres, recebeu as contribuições dos países doadores para um fundo de mais de 8 bilhões de dólares, cujo objetivo é acelerar a produção de diagnósticos, terapias e vacinas. No entanto, ele declarou que serão necessárias cinco vezes essa quantia para colocar todos no caminho para um mundo livre da doença. Até o momento, a COVID-19 “se espalhou por todos os cantos do mundo, infectando mais de 3 milhões de pessoas e matando mais de 220 mil”, disse Guterres. As declarações são feitas após alerta recente sobre a falta de solidariedade em relação aos países em desenvolvimento – tanto para equipá-los na resposta à pandemia, que corre o risco de se espalhar como fogo – quanto para enfrentar seus dramáticos impactos econômicos e sociais. O pior ainda está por vir, alertou, pois o vírus provavelmente atingirá muitos países com sistemas de saúde mal equipados. “Em um mundo interconectado, nenhum de nós estará protegido até que todos estejam”, insistiu o secretário-geral da ONU. Colaboração entre ONU e países-membrosO chefe da ONU apontou o lançamento no mês passado do esforço histórico iniciado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e por vários países para acelerar os avanços científicos necessários para controlar o coronavírus, conhecido como ACT Accelerator.“Essas novas ferramentas podem nos ajudar a controlar totalmente a pandemia e devem ser tratadas como bens públicos globais disponíveis e acessíveis a todos. Esse é o único caminho para um mundo livre de COVID-19.” Além da Comissão Europeia, que organizou o evento de segunda-feira em nome da UE, os países envolvidos no esforço geral incluem África do Sul, Ruanda, Malásia, Arábia Saudita, Finlândia e Costa Rica. Até o momento, nenhuma das duas maiores economias, Estados Unidos ou China, aderiu ao ACT Accelerator. |
|
Posted: 04 May 2020 12:21 PM PDT
Foto: UNAIDS
A diretora-executiva do UNAIDS, Winnie Byanyima, lembrou que o HIV ensinou que a violência, o bullying e a discriminação servem apenas para marginalizar ainda mais as pessoas mais necessitadas. “Todas as pessoas, independentemente de sua orientação sexual, identidade ou expressão de gênero, têm direito à saúde, segurança e proteção, sem exceção. O respeito e a dignidade agora são necessários mais do que nunca”, afirmou a diretora-executiva do UNAIDS. Em Belize, relatórios detalham os abusos cometidos pela polícia a um homem gay que foi preso, humilhado e espancado por violar um toque de recolher imposto para conter a propagação do coronavírus. O jovem de 25 anos vivia com HIV e acredita-se que tenha morrido pelo resultado de complicações sofridas por ferimentos infligidos pela polícia. O diretor-executivo da MPact, George Ayala, contou que eles receberam relatos de que líderes governamentais e religiosos em alguns países estão fazendo alegações falsas e divulgando informações erradas sobre a COVID-19, o que incentivou a violência e a discriminação contra pessoas LGBTI. “Organizações e casas estão sendo invadidas, pessoas LGBTI estão sendo espancadas, e houve um aumento nas prisões e ameaça de deportação a pessoas LGBTI requerentes de asilo”, disse o diretor-executivo da MPact. Em Uganda, vinte pessoas LGBTI foram presas recentemente em um ataque a um abrigo, que as autoridades policiais alegaram o ocorrido em função do descumprimento dos procedimentos de distanciamento social. Nas Filipinas, três pessoas LGBTI estavam entre um grupo que foi humilhado publicamente como punição por violar o toque de recolher. Depois que fragmentos do incidente se tornaram virais na internet, o capitão da polícia foi forçado a pedir desculpas por obrigar as pessoas do grupo LGBTI a dançarem e se beijarem. “Também existe uma preocupação crescente com a privacidade e a confidencialidade, pois não sabemos como os governos estão usando tecnologias e smartphones para monitorar os movimentos das pessoas durante bloqueios ou toques de recolher. Homens gays e pessoas com incongruência de gênero são frequentemente os primeiros alvos e os mais impactados pelo aumento dos esforços de policiamento e vigilância”, acrescentou George Ayala. Para algumas pessoas LGBTI, o auto isolamento e o distanciamento físico podem ser particularmente desafiadores e até perigosos. Muitas pessoas LGBTI enfrentam violência e/ou maus-tratos enquanto se abrigam em casas com familiares que não os aceitam. As pessoas LGBTI também podem sofrer violência pelo parceiro íntimo enquanto ficam isoladas em casa, sem a capacidade de denunciar casos de abuso à polícia devido ao medo de repercussões. O isolamento também pode agravar as condições pré-existentes de saúde mental, comuns entre as pessoas LGBTI, incluindo solidão, depressão, ansiedade e ideação suicida. A pandemia da COVID-19 deixa muitos gays e mulheres trans sem ferramentas adequadas para controlar sua saúde e direitos sexuais. Os homens gays representam quase 20% de todas as novas infecções pelo HIV e têm 22 vezes mais chances de infecção pelo HIV do que outros homens. Já as mulheres trans têm um risco 12 vezes maior de infecção pelo HIV do que a população em geral. As ordens de permanecer em casa, especialmente quando implementadas sem flexibilidades, aumentam as dificuldades que esses grupos já enfrentam no acesso à terapia antirretroviral e aos serviços de prevenção e afirmação de gênero, incluindo terapias hormonais. Isto é especialmente verdadeiro para as pessoas LGBTI que são pobres, desempregadas, que não possuem um abrigo ou estão marginalmente alojadas. O UNAIDS e a MPact pedem aos países que: – Denunciem desinformação usada como bode expiatório, calúnia ou que culpe pessoas LGBTI pela disseminação da COVID-19. – Parem os ataques a organizações, abrigos e espaços liderados por grupos LGBTI e desistam de prender pessoas com base em sua orientação sexual, identidade ou expressão de gênero. – Garantam que todas as medidas para proteger a saúde pública sejam proporcionais, informadas por evidências e respeitem os direitos humanos. – Impeçam o uso de vigilância estatal nas tecnologias de comunicação pessoal das pessoas LGBTI. – Invistam na resposta da COVID-19, porém resguardando fundos e programas de saúde sexual e de HIV inclusivos e sensíveis às necessidades das pessoas LGBTI. – Protejam o acesso contínuo ao suporte médico que salva vidas, incluindo redução de danos, preservativos e lubrificantes, profilaxia pré-exposição, terapia antirretroviral, terapias de reposição hormonal e serviços de saúde mental para pessoas LGBTI. – Forneçam opções flexíveis de entrega de serviços, desde dispensa de vários meses até a entrega na comunidade e opções virtuais de consulta e suporte. – Considerem a possibilidade de designar organizações de serviços lideradas pela comunidade como provedores de serviços essenciais, para que eles possam fornecer uma entrega flexível e segura dos principais serviços. – Incluam pessoas LGBTI em esquemas nacionais de proteção social, englobando apoio à renda. – Aumentem o acesso a abrigos apropriados e seguros de emergência para pessoas sem teto e pessoas LGBTI despejadas recentemente. – Envolvam as pessoas LGBTI no planejamento de mensagens de saúde pública relacionados à COVID-19. – Implementem monitoramento de segurança para mitigação de hackers durante reuniões virtuais. Agora, mais do que nunca, todos devem se unir para proteger e promover a saúde e os direitos humanos das pessoas LGBTI. |
|
Posted: 04 May 2020 11:52 AM PDT
O webinário teve a presença de profissionais do IBGE, IBOPE Inteligência e DATASUS do Ministério da Saúde. Foto: Reprodução/Zoom.us
Com o tema “O desafio dos dados populacionais no contexto da COVID-19”, mais de 300 pessoas acompanharam a discussão com transmissão ao vivo do canal do UNFPA Brasil no Youtube. O evento online teve como palestrantes Eduardo Rios-Neto, diretor de Pesquisas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE); Jacson Barros, diretor do Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde (SUS – Datasus/Ministério da Saúde); e Márcia Cavallari Nunes, presidente do IBOPE Inteligência. O encontro foi apresentado e mediado pela representante do UNFPA no Brasil, Astrid Bant. Para Bant, a pandemia vem exigindo novos esforços para as instituições produtoras de dados. “Estamos acompanhando a rápida evolução da pandemia do novo coronavírus em todo o mundo. Esta forte disseminação do vírus trouxe muitos desafios também para a realização de coleta de dados e para a produção estatística.” “Vários países, dentre eles o Brasil, adiaram a realização dos censos demográficos e adaptaram as pesquisas amostrais para a coleta de dados a distância”, ressaltou a representante. O diretor do IBGE Eduardo Rios-Neto comentou o adiamento da realização do Censo Demográfico de 2020 para o ano seguinte. “Foi uma decisão muito difícil, mas por conta da COVID-19, o IBGE retirou do campo toda a coleta presencial.” Rios-Neto também mencionou que foram tomadas pelo IBGE algumas medidas para dar continuidade às pesquisas em regime de distanciamento social. “Tivemos um esforço muito grande de migrar a coleta presencial da PNAD-contínua para um coleta telefônica. A coleta de março foi concluída e continuaremos dessa forma”. Para o DATASUS do Ministério da Saúde, o processo de coleta de dados também não tem sido fácil neste período, segundo Barros. “Como estamos na linha de frente, tivemos alguns problema atendendo muitas emergências que surgiram, mas foi um momento para iniciarmos algumas iniciativas, como o TeleSUS, por exemplo, um chatbot para avaliação da saúde e para dúvidas sobre COVID-19”. O método telefônico também foi uma das soluções do IBOPE inteligência para a coleta de dados, como afirma Márcia Cavallari, CEO do IBOPE Inteligência. “Algumas pesquisas que estavam em planejamento puderam ser facilmente migradas para o telefone ou online, no entanto, outras pesquisas que exigem maior rigor com metodologias mais complexas foram suspensas e agora estamos aguardando o retorno para dar continuidade a esses projetos”, conclui a CEO. A cada semana, a série “População e Desenvolvimento em Debate” promovida por UNFPA e ABEP realizará discussões entre academia, governo e sociedade civil sobre temas emergentes na Agenda de População e Desenvolvimento aliado ao contexto atual. Na próxima edição, o webinário abordará o tema “Violência de gênero e a COVID-19: evidências, vigilância e atenção”. |
|
Posted: 04 May 2020 11:29 AM PDT
A primeira turma da Capacitação para o Empreendedorismo oferecida para migrantes e refugiados no estado de Santa Catarina já está ativa desde 27 de abril. As aulas, que são on-line, ocorrem por meio da parceria entre a Organização Internacional para as Migrações (OIM) e a ONG Círculos de Hospitalidade, desenvolvida no âmbito do projeto Oportunidades.
A iniciativa aumentará o conhecimento dos beneficiários sobre o acesso a direitos, incluindo direitos trabalhistas e educacionais; fornecerá apoio psicossocial; promoverá programas de emprego compostos por treinamento de habilidades, treinamento em empreendedorismo, capital inicial, feiras econômicas, setor privado e mapeamento de oportunidades de emprego; e oferecerá aulas de língua portuguesa. Essa oferta inicial, que terá duração de um mês, foi adaptada para ser realizada à distância, em função da pandemia da COVID-19, e conta com uma turma de 20 pessoas. Ao menos 90 pessoas refugiadas e migrantes serão capacitadas para o empreendedorismo. A capacitação faz parte do projeto que a OIM e a Círculos de Hospitalidade implementam em conjunto para promover a inserção econômica e de trabalho de venezuelanos e migrantes de países vizinhos ao Brasil em Santa Catarina. O intuito é alcançar mais de três mil pessoas em situação vulnerável no estado de Santa Catarina até dezembro. Esta iniciativa é realizada no marco do projeto “Oportunidades – Integração no Brasil”, implementado pela OIM e realizado com o financiamento da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID). O projeto visa apoiar o governo brasileiro, nas suas diferentes esferas, e o setor privado na integração econômica de venezuelanos e migrantes de países vizinhos ao Brasil que estejam em situação de vulnerabilidade no país. |
|
Posted: 04 May 2020 11:22 AM PDT
Peruanos têm a temperatura medida em Lima. Foto: Município de Lima
Um novo relatório da Organização Internacional do Trabalho (OIT) prevê que 10,5% das horas trabalhadas serão perdidas na América Latina e no Caribe no segundo trimestre na comparação com o quarto trimestre do ano passado. Isso equivale a algo entre 25 milhões e 31 milhões de empregos em período integral. Os novos dados sobre a região constam na terceira edição “Monitor OIT: COVID-19 e o mundo do trabalho ” (em inglês), divulgado nesta semana. O indicador da perda de horas de trabalho “apresenta uma deterioração significativa”, destacou o relatório, que esclarece que se trata de um dado com impacto geral no emprego, e não no desemprego. O documento também aborda a situação das pessoas empregadas em condições informais e o impacto da crise sobre sua renda. Na América Latina e no Caribe, cerca de 158 milhões de pessoas que trabalham em condições de informalidade, o equivalente a 54% do total do emprego, devem ter sua renda reduzida em até 81%, uma proporção bem acima da medida global de 60%, segundo os dados coletados no âmbito da preparação do relatório. Além disso, o relatório estima que, na região, correm alto risco de perder os meios de subsistência devido a restrições à atividade econômica cerca de 89% das(os) trabalhadoras(es) informais, aproximadamente 140 milhões de pessoas ou quase metade da força de trabalho regional total. “Um inimigo invisível afetou os mercados de trabalho da região e expôs os problemas de instabilidade no emprego, baixa renda, precariedade e pouca ou nenhuma proteção que implica o trabalho em condições de informalidade”, disse Vinícius Pinheiro, diretor regional da OIT para a América Latina e o Caribe. O relatório global da OIT também apresenta dados sobre os efeitos da pandemia sobre as empresas. O estudo mostra que, em todo o mundo, cerca de 436 milhões de empresas de vários tamanhos nos setores econômicos mais afetados “enfrentam um alto risco de sofrer choques graves”. “Nunca antes os mercados de trabalho da América Latina e do Caribe enfrentaram um desafio dessa magnitude, teremos que reconstruir o mundo do trabalho, o que implica tomar medidas para restaurar uma rede que inclua o emprego, a renda e as empresas “, disse o diretor regional da OIT. O novo relatório da OIT apresenta uma série de recomendações sobre o tipo de medidas a serem implementadas para proteger empresas e empregos e atribui importância fundamental às medidas de proteção social que podem apoiar a população mais vulnerável e, portanto, conter o risco de colapso socioeconômico. Pinheiro também destacou que será necessário levar em consideração as medidas de segurança e saúde no trabalho como elemento central. Ele afirmou que o local de trabalho “se tornou o território onde uma das batalhas mais decisivas contra a pandemia está sendo travada”. “O local de trabalho como o conhecíamos não existe mais”, disse ele durante uma conferência sobre o tema realizada nesta semana, na qual foi destacada a questão da segurança e saúde no local de trabalho durante a emergência, no caso dos setores que continuaram operando, sendo ainda mais relevante quando as atividades produtivas forem retomadas. “A superação da pandemia e a prevenção de novos surtos quando houver a reativação da economia dependerão do sucesso que tivermos na aplicação de medidas de saúde e segurança no trabalho”, acrescentou. Por outro lado, ele ressaltou que os países da região também devem enfrentar o desafio de encontrar formas de diálogo social com a participação de governos, empregadores e trabalhadores. “É importante que estejamos todos na mesma mesa, para que as medidas e as estratégias tenham viabilidade política e sustentabilidade”. |
|
Posted: 04 May 2020 10:39 AM PDT
Para a representante da ONU Mulheres Brasil, Anastasia Divinskaya, a campanha é fundamental para aumentar a consciência pública sobre a violência contra as mulheres. Foto: Reprodução
As chamadas exibidas durante os intervalos de programação de GNT e Globo destacam a maior exposição e vulnerabilidade da mulher durante o período de isolamento social provocado pela pandemia de COVID-19. Os vídeos ressaltam que, durante o isolamento, a vítima tem suas ferramentas de denúncia limitadas devido à vigilância constante do agressor. Neste momento, vizinhos, vizinhas e pessoas próximas se tornam os grandes aliados e aliadas. “Estamos vivendo um momento de bastante fragilidade da nossa sociedade, mas também de uma percepção enorme de mais solidariedade entre todos”, disse Fabiana Gabriel, gerente de marketing e digital do GNT, VIVA, e mais Globosat. “No mundo todo, e não apenas no Brasil, os casos de violência doméstica tem crescido barbaramente. É ainda mais urgente que, em um período como esse, a gente reforce essa mensagem e convoque toda a sociedade.” “Pedimos ajuda para que toda a população fique atenta aos sinais vindos dos lares vizinhos. Porque, nesse caso, se meter na relação entre marido e mulher pode salvar vidas.” Para a representante da ONU Mulheres Brasil, Anastasia Divinskaya, “a campanha é fundamental para aumentar a consciência pública sobre a violência contra as mulheres e evitar aumento de casos durante a fase de isolamento social. Em diferentes partes do mundo, a pandemia Covid-19 se desenvolve junto com a pandemia da violência contra as mulheres. A mídia tem papel fundamental a cumprir, porque o Brasil é um dos países latino-americanos que mais concentra violência doméstica e familiar. A hora de agir e apoiar as mulheres é agora”. A campanha se desdobrará em peças de divulgação no YouTube, Facebook e Instagram, e em outras etapas que preveem conteúdos educativos nas redes sociais do GNT e de marcas parceiras, programas especiais para amplificar o debate com a audiência, entre outras ações. No dia 18 de maio, Dia Nacional do Enfrentamento à Violência Sexual Contra Crianças e Adolescentes, o GNT exibe o DOC “Um Crime Entre Nós” à meia-noite. Ainda em maio, o “Papo de Segunda” (18) e o “Saia Justa” também irão debater o tema e dar luz à campanha. |
|
Posted: 04 May 2020 09:35 AM PDT
Moradora de Muona, sul do Malawi, lava as mãos com água e sabão para prevenir infecção por COVID-19. Foto: WFP
Em tempos de negacionismo científico e recentes retrocessos globais, como o movimento antivacinas, não há quem refute a ideia de que a pandemia do novo coronavírus mudará para sempre o mundo em que vivemos. A Covid-19 afetou severamente a economia, as relações de trabalho e, como apontado pela Organização das Nações Unidas para a Ciência e a Cultura (UNESCO), terá profundo impacto na educação em longo prazo: mais de 1,5 bilhão de crianças, jovens e adolescentes tiveram que se afastar temporariamente de suas escolas. Em cenários tão adversos, como já demonstrado em pandemias anteriores, a ciência sempre teve seu lugar na história. Foi ela que permitiu à humanidade combater a desinformação diante da natural apreensão pelo que estaria por vir. As evidências científicas, no entanto, nunca navegaram em águas tranquilas. Lembremos que no passado até o simples ato de lavar a mãos era visto com ressalva por muitos, como atestou no século 19 o pioneiro da antissepsia, o médico húngaro Ignaz Semmelweis, profundamente criticado por seus pares ao comprovar a redução de mortes de parturientes pela desinfecção hospitalar. Os surtos de influenza de 1918 e de Sars, em 2002, também testemunharam resistências às medidas de distanciamento social, que mais tarde se mostrariam mais do que acertadas. No Brasil, tornou-se célebre o sanitarista Oswaldo Cruz, que adotou medidas impopulares, como a vacinação compulsória e o isolamento de doentes, no combate à febre amarela e varíola no Rio de Janeiro do início do século 20. Em comum a todos esses casos, o fato inconteste de que a ciência se provou crucial para o controle das enfermidades. Com a Covid-19, não é diferente. A própria noção de achatamento da curva de contágio, fundamental para trazer previsibilidade, se inspira em modelos epidemiológicos e matemáticos já testados. O conhecimento científico é também elemento motivador para a união entre os povos. Isso se traduz no atual contexto pela busca de uma vacina ou de mecanismos que freiem a expansão do vírus, ou mesmo pela troca de boas práticas com os países que têm reduzido a velocidade de expansão do vírus. Não se faz ciência da noite para o dia —e tampouco se faz sozinho. Ela é fruto de muito investimento e de um longo processo de estudo, cooperação, aperfeiçoamento e validação. Talvez resida aqui a principal lição da atual pandemia: a valorização dos cientistas e profissionais de saúde. Eles detêm o conhecimento para que lidemos com questões igualmente complexas e urgentes, como a mudança climática e a crescente escassez de recursos hídricos. O conhecimento cientifico é o caminho para superarmos esse momento, mas ele não será suficiente para evitarmos as consequências danosas de outros problemas globais. Será preciso uma nova leitura de como enxergamos a humanidade, um outro patamar de empatia, que deve vir de governos, agentes econômicos e sociedade civil. Quem sabe esta não seja, finalmente, a oportunidade para repactuarmos um mundo mais humano, pacífico e solidário. *Diretora e representante da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) no Brasil |
|
Posted: 04 May 2020 07:29 AM PDT
Foto: Guilherme Larsen/PNUD
Durante 72 horas, entre os dias 15 e 17 de maio, os participantes vão colaborar on-line em projetos que visem resolver os desafios da COVID-19. O HACKCOVID19 contará com o auxílio de mentores experientes de diversas áreas e com o conhecimento científico e infraestrutura do CBPF, Fiocruz e LNCC. O objetivo é criar soluções que beneficiem diferentes comunidades e fortaleçam a resposta para a pandemia. Os participantes poderão trabalhar no desenvolvimento de soluções em diferentes segmentos: saúde, comunidade, populações vulneráveis, empresas e comércio, educação, arte e cultura e meio ambiente e informação. Para se inscrever no HACKCOVID19, os participantes devem ser maiores de idade e escolher uma das seguintes opções: “Hacker” e “Ativador”. Na primeira opção, os participantes formarão equipes e desenvolverão um projeto ao longo do desafio. Quem optar por se inscrever como “Ativador” poderá propor desafios relacionados às diferentes temáticas do edital e trabalhará com diversos times durante o hackaton. Podem participar pessoas de diferentes áreas de formação e nível de escolaridade. Não há limitações no número de participantes. Os organizadores irão decidir o número total de participantes levando em consideração a produtividade das equipes. Os projetos devem propor o desenvolvimento de uma tecnologia que vise resolver um desafio inicial e que deve se enquadrar em uma das seguintes categorias: design, protótipo ou simulação. Serão premiados os primeiros, segundo e terceiros lugares. O objetivo é motivar as equipes em trabalhos colaborativos voltados às necessidades da sociedade. A intenção é que os projetos vencedores possam ser desenvolvidos até o final e que cheguem ao grande público. Os vencedores terão o acompanhamento do Núcleo de Inovação Tecnológica das Unidades de Pesquisa do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações. Parceria Para o HACKCOVID19, as entidades organizadoras firmaram uma parceria com o PNUD, por meio de um Memorando de Entendimento. O foco é colaborar na realização do evento e incentivar a criação de soluções inovadoras, rápidas e de baixo custo para minimizar os efeitos do isolamento social de forma a facilitar a recuperação de diversos setores no país. A chamada para propostas de desafios está aberta até hoje, dia 4 de maio. Já as inscrições para o hackaton, podem ser realizadas a partir do dia 15 do mesmo mês. Mais informações em https://hackcovid-19.devpost. |
|
Posted: 04 May 2020 07:20 AM PDT
Jornalistas acompanham coletiva de imprensa na ONU, em Genebra. Foto: ONU/Violaine Martin
As ações convidam governos, mídia e sociedade civil a se juntarem em um movimento global online que chama atenção para a importância da atuação de uma imprensa livre e independente, em especial em um momento como o atual, de pandemia do novo coronavírus e de avalanche de desinformação. O Dia Internacional da Liberdade de Imprensa foi instituído pela Assembleia Geral da ONU em 1993. É um lembrete aos governos sobre a necessidade de garantir que o compromisso com a liberdade de imprensa seja assegurado. É também uma data de reflexão entre os profissionais da área e uma oportunidade para lembrar daqueles que perderam a vida no exercício da profissão. Neste ano, em meio à pandemia da COVID-19 e do que a Organização Mundial da Saúde (OMS) chamou de “infodemia”, o tema escolhido foi “Jornalismo Imparcial e Sem Medo”. A campanha destaca também que uma imprensa livre e independente é essencial em todos os momentos, e em particular durante uma crise de saúde pública como a que estamos enfrentando, em que o papel de comunicadores e jornalistas profissionais é vital, a partir de suas qualificações e compromisso para apurar informações com responsabilidade e fornecer orientações com base em fatos e dados. Além da UNESCO, a Associação Brasileira das Emissoras de Rádio e Televisão (Abert), a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), a Associação Nacional de Jornais (ANJ), a Associação Nacional dos Editores de Revistas (Aner), a Associação de Jornalistas de Educação (Jeduca) e o Instituto Palavra Aberta estarão unidos em uma mobilização envolvendo todas as entidades, jornais, revistas e emissoras de rádio e de TV na divulgação de um Manifesto em prol da liberdade de imprensa e do fortalecimento do jornalismo forte e independente. Foram desenvolvidas diversas peças publicitárias e alusivas à data, que estarão disponíveis para divulgação gratuita nas redes sociais. Um spot de 30 segundos, desenvolvido pela Abert, poderá ser veiculado gratuitamente pelas emissoras de rádio, além da divulgação de hashtags comemorativas como # Webinar discutirá a importância do jornalismoEntre as ações previstas para o Dia Mundial da Liberdade de Imprensa está a realização nesta segunda-feira (4), às 17h, de webinar com o tema “A importância do jornalismo em tempos de pandemia e desinformação”, que será transmitido simultaneamente nas páginas do Facebook e nos canais de YouTube de todas as entidades participantes.O debate contará com a participação de Marlova Noleto, Diretora e Representante da UNESCO no Brasil, de Atila Iamarino, biólogo, divulgador científico e explicador do mundo por opção, de Antônio Gois, jornalista, colunista de educação do jornal O Globo, presidente da Jeduca e conselheiro do EducaMídia, e de Patricia Blanco, presidente do Instituto Palavra Aberta. |
|
Posted: 04 May 2020 07:03 AM PDT
Foto: UNESCO
Mesmo quando as escolas reabrirem, a emergente recessão econômica ameaça exacerbar as desigualdades e pode reverter o progresso obtido na expansão do acesso educacional e na melhoria da qualidade da aprendizagem em todo o mundo, alertou a Comissão durante uma reunião on-line em abril. A Comissão Internacional sobre os Futuros da Educação afirmou que “na medida em que a humanidade procura maneiras de transformar o mundo para melhor após a pior crise de saúde em um século, nós precisamos repensar as políticas sociais, incluindo a educação, e abordar questões de longa data relacionadas à desigualdade estrutural, à pobreza e à exclusão. É provável que uma recessão global iminente tenha consequências drásticas no financiamento da educação e outros serviços públicos, bem como na vida e nos meios de subsistência das pessoas. Durante este período, devem ser mantidos os compromissos globais com a educação e devem ser direcionados recursos àqueles que foram mais atingidos nos âmbitos social, econômico e educacional. A Comissão insta que as crises globais – na saúde e na educação – sejam tratadas por meio da solidariedade, da empatia e do apreço por nossa humanidade comum”. Presidida pela presidente da Etiópia, Sahle-Work Zewde, a Comissão Internacional sobre os Futuros da Educação reúne pensadores líderes das áreas de política, universidades, sociedade civil, educação e empresas privadas. A crise da COVID-19 enfatizou a importância do mandato da Comissão para refletir sobre como o conhecimento e a aprendizagem precisam ser repensados em um mundo cada vez mais incerto e frágil. Durante sua reunião especial dedicada à crise da COVID-19, a Comissão emitiu uma Declaração Conjunta sobre como a educação deve ser protegida e transformada para o nosso futuro compartilhado e a nossa humanidade comum. A diretora-geral da UNESCO, Audrey Azoulay, afirmou que agora o ensino à distância on-line não pode ser a única solução, pois ele tende a exacerbar as desigualdades já existentes, que são parcialmente niveladas nos ambientes escolares. “Isso será de interesse para esta Comissão, cuja tarefa consiste em repensar o futuro da educação, incluindo uma articulação adequada entre a aprendizagem à distância e a aprendizagem em sala de aula”. A presidente Sahle-Work disse que já vivenciou diversas crises, mas não tem certeza de que as lições do passado serão necessárias para mitigar os efeitos negativos causados pela pandemia atual. “A COVID-19 não discrimina e está redefinindo a nossa realidade. Nós deveríamos responder com humildade, solidariedade e empatia”. Leia a Declaração da Comissão sobre os Futuros da Educação (em inglês). |
politica evolutiva mundo laico pela separação da religião do estado por la separação de la religión del estado evolutionary secular political world ,the separation of religion from state Эволюционный светская политическая мир отделение религии от государства/العالم السياسي العلماني التطوري فصل الدين عن الدولة עולם פוליטי חילוני אבולוציונית הפרדת דת מהמדינה
segunda-feira, 4 de maio de 2020
Assinar:
Postar comentários (Atom)

Nenhum comentário:
Postar um comentário