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sexta-feira, 8 de maio de 2020

Posted: 08 May 2020 02:30 PM PDT

Em mensagem para o momento de lembrança e reconciliação para aqueles que perderam suas vidas durante a Segunda Guerra Mundial – marcado anualmente em 8 e 9 de maio –, o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, prestou uma homenagem aos milhões de pessoas que perderam a vida no conflito encerrado há 75 anos.
“Nunca devemos esquecer o Holocausto e os outros crimes graves e horrendos cometidos pelos nazistas. A vitória sobre o fascismo e a tirania em maio de 1945 marcou o início de uma nova era”, destacou Guterres.
Ele lembrou ainda que a solidariedade internacional e a humanidade compartilhada de então levou ao nascimento das Nações Unidas, com a missão primordial de salvar as gerações seguintes do flagelo da guerra.
“Nosso mundo ainda está sofrendo o impacto do conflito. Mesmo durante a atual crise de COVID-19, vemos novos esforços para dividir as pessoas e espalhar o ódio”, ponderou o chefe da ONU. “Ao marcarmos esse 75º aniversário, vamos lembrar as lições de 1945 e trabalhar juntos para acabar com a pandemia e construir um futuro de paz, segurança e dignidade para todos”, concluiu.
 
Posted: 08 May 2020 12:16 PM PDT
Lis realiza sessão informativa na Igreja Batista de Pacaraima (RR) para venezuelanos e brasileiros. Foto: Pastor Gideão
Lis realiza sessão informativa na Igreja Batista de Pacaraima (RR) para venezuelanos e brasileiros. Foto: Pastor Gideão
A antropóloga Lis Viana de Abreu, de 29 anos, é assistente de campo na operação da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) há quase dois anos. Ela trabalha em Pacaraima (RR), cidade na fronteira do Brasil com a Venezuela, e compartilhou os principais desafios de trabalhar em uma emergência humanitária no contexto da pandemia do novo coronavírus.
Como você e a equipe têm se adaptado para trabalhar no contexto da pandemia?
Devido à pandemia da COVID-19, o ACNUR está trabalhando intensamente para suprir as necessidades extras da população refugiada. Uma das nossas principais ações é promover o acesso à informação. Em muitas comunidades indígenas, por exemplo, somos a única fonte de informação das pessoas – não só sobre a pandemia, mas também sobre documentação, direitos e acesso a serviços.
Em Pacaraima, a equipe precisa ser versátil. Parte do meu trabalho é liderar os assuntos relacionados à população indígena e as atividades que realizamos com os refugiados. Como mencionei, a comunicação com as comunidades tem sido uma prioridade diária na resposta ao vírus.
Não basta apenas transmitir a mensagem. É preciso fazê-lo de uma forma acessível. Escutar a população é essencial na busca pela melhor forma de abordá-la. Eu diria que escutar as pessoas é a parte mais gratificante do meu trabalho. Não só o que dizem verbalmente, mas também a linguagem corporal. Posso sentir nos olhares e gestos um sentimento profundo de agradecimento, e isso me transforma.
Quais são os principais desafios enfrentados pela população atendida?
Se a pandemia já é um momento difícil para as famílias que têm onde se abrigar, que têm acesso a produtos de limpeza e higiene, você pode imaginar passar por esse processo em um local com pouca ou nenhuma infraestrutura para manutenção da higiene? Ou mesmo sem saber como se prevenir ou agir em caso de infecção? Essa é a realidade de muitas das populações com as quais o ACNUR trabalha diariamente.
Pacaraima é um município extenso, e há muitos grupos vivendo em ocupações espontâneas e locais remotos, como os Pemon-Taurepang. Para realizar atividades em uma das comunidades mais remotas, a equipe do ACNUR e parceiros caminham por cerca de 50 minutos até o local, inacessível de carro. Eles sempre nos recebem com mingau de banana, suco de limão, bacaba ou caxiri (bebida típica feita da mandioca).
Nos conte algo que te faz sentir esperançosa em um cenário tão difícil.
Testemunhar a solidariedade dos grupos Pemon-Taurepang que agora vivem no Brasil é algo que me motiva a seguir adiante. Há mais de um ano, eles receberam grupos numerosos de pessoas da mesma etnia que fugiam de conflitos na Venezuela. Algumas comunidades triplicaram de tamanho: mais de 1 mil pessoas chegaram ao Brasil em menos de uma semana, caminhando por trilhas muito mais antigas que a demarcação das fronteiras.
A forma como se apoiaram é exemplar. Quem chegou da Venezuela foi acolhido em segurança aqui no Brasil em uma terra indígena, junto a famílias que falam a mesma língua materna. Foram recebidos em um espaço onde puderam estabelecer suas casas e seguir com suas vidas, apesar de todas as dificuldades que resultam de um deslocamento forçado.
Desde então, eles permaneceram juntos, e agora estão se unindo mais ainda para se protegerem da pandemia. Os líderes de cada grupo reforçaram a importância de proteger o grupo inteiro. Vemos que a solidariedade é, de fato, a base das trocas humanas que fazem sentido neste momento mais do que nunca.”
O ACNUR segue atuando para proteger refugiados, pessoas deslocadas e comunidades que os acolhem do novo coronavírus.
Temos MUITO trabalho pela frente. Doe AGORA para apoiar os nossos esforços. Você pode salvar vidas!
 
Posted: 08 May 2020 11:27 AM PDT
Diagnóstico laboratorial de casos suspeitos do novo coronavírus (2019-nCoV), realizado pelo Laboratório de Vírus Respiratório e do Sarampo do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz), que atua como Centro de Referência Nacional em Vírus Respiratórios para o Ministério da Saúde. Foto: IOC/Fiocruz/Josué Damacena
Diagnóstico laboratorial de casos suspeitos do novo coronavírus, realizado pelo Laboratório de Vírus Respiratório e do Sarampo do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz), que atua como Centro de Referência Nacional em Vírus Respiratórios para o Ministério da Saúde. Foto: IOC/Fiocruz/Josué Damacena
A contribuição da ciência, tecnologia e inovação nos tempos de crise pela COVID-19 é essencial para enfrentar os atuais desafios de saúde, mas também para apoiar os esforços produtivos da recuperação econômica pós-pandemia.
Essa é a opinião de diversos ministros de países latino-americanos e caribenhos, que se reuniram em encontro virtual promovido por Alicia Bárcena, secretária-executiva da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL).
A reunião dos países-membros da Conferência de Ciência, Inovação e Tecnologia da Informação e das Comunicações (TICs) – órgão subsidiário da CEPAL – contou com a participação de autoridades de Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, Costa Rica, Cuba, Equador, Guatemala, México, Nicarágua, Panamá, Paraguai, Peru, República Dominicana e Uruguai.
O encontro foi liderado por Bárcena e Shamila Nair-Bedouelle, sub-diretora-geral de Ciências Exatas e Naturais da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), e Luis Adrián Salazar Solís, ministro de Ciência, Tecnologia e Telecomunicações da Costa Rica, em sua qualidade de presidente da Conferência.
Durante a reunião, a secretária-executiva da CEPAL apresentou uma visão geral do atual sistema científico e tecnológico na América Latina e no Caribe e seus principais desafios.
Ela observou que a infraestrutura digital está particularmente atrasada em relação a outras regiões e que, portanto, o desenvolvimento e a adoção de soluções digitais devem considerar os elementos estruturais dos países e os fatores facilitadores.
“A integração regional, as capacidades do setor de saúde e a economia digital devem ser fortalecidas”, afirmou.
“A pandemia destacou a necessidade de uma abordagem que transcenda o nacional e fortaleça a integração regional através de sistemas de ciência e tecnologia ligados entre países e seus sistemas de produção.”
“A humanidade está na corrida para encontrar uma vacina e tratamentos que neutralizem os efeitos da pandemia na saúde, e é aqui que esforços conjuntos e coordenados se tornam essenciais”, disse Bárcena.
Ela acrescentou que a contribuição da ciência, tecnologia e inovação nos tempos da pandemia e das políticas e instituições que as promovem não se limita à prevenção ou tratamento da doença.
“Temos que aproximar a ciência, a tecnologia e a inovação dos setores produtivos”, disse ela, como é o caso da fabricação de suprimentos médicos, vários produtos de proteção à saúde, testes para detectar o vírus e equipamentos essenciais como ventiladores mecânicos, entre outros.
Bárcena lembrou que a pandemia obrigou pessoas, empresas e Estados a adotarem novas formas de trabalho, de educação e de relacionamentos. Ela citou os desafios tecnológicos e sociais para garantir a possibilidade de teletrabalho e educação a distância para o maior número de pessoas.
No entanto, o baixo investimento em pesquisa e desenvolvimento (P&D), que é de 0,7% do PIB da região, e o baixo percentual de pesquisadores dedicados a P&D (3%) exige um gerenciamento urgente e estratégico, enfatizou Bárcena.
Ela também destacou que o desenvolvimento e a adoção de soluções digitais são condicionados por fatores estruturais nos países da região. Por exemplo, apenas 26,6% do empregados formais da região podem trabalhar em casa, com variação significativa entre os países.
Além disso, o teletrabalho tem um impacto diferenciado nas mulheres devido à divisão sexual injusta do trabalho e à carga excessiva de trabalho não remunerado e de serviços domésticos que recai sobre elas.
Enquanto isso, em relação à educação a distância, explicou que ainda existem grandes problemas de conectividade – falta de acesso a equipamentos e conexão à Internet – que dificultam a educação na região.
Nos países com níveis mais baixos de conectividade, menos de 20% dos estudantes vivem em uma casa com conexão à Internet, disse Bárcena. Além disso, a alta incidência de superlotação nas residências, especialmente nos quintis de menor renda, afeta a qualidade da educação a distância, alertou.
“Nesse contexto urgente, a Conferência de Ciência, Inovação e TICs da CEPAL é apresentada como um espaço de colaboração e construção conjunta de iniciativas e capacidades regionais”, disse.
A chefe da CEPAL também informou que a Comissão está realizando estudos e relatórios especializados sobre a análise do uso de tecnologias digitais em tempos de COVID-19, bem como um documento de posicionamento sobre o cenário digital na região. Também está organizando um diálogo técnico e de alto nível com os países sobre o uso de tecnologias digitais em face da pandemia.
“Para influenciar a nova economia mundial, a região deve avançar em direção a uma maior inovação, integração produtiva, comercial e tecnológica. Um mercado integrado de 650 milhões de habitantes constituiria um importante seguro contra distúrbios gerados fora da região”, disse Bárcena.
Ela lembrou que a CEPAL está trabalhando em uma proposta para um novo regime universal de proteção social com renda básica cidadã, governança internacional inclusiva e sustentável, com base na Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável.
 
Posted: 08 May 2020 10:37 AM PDT

“Para a COVID-19 não interessa quem somos, onde vivemos, em que acreditamos ou qualquer outra diferença.”
Foi assim que o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, iniciou sua mensagem em vídeo em que pede solidariedade para lidar com o que classificou de “tsunami de ódio e de xenofobia, de bodes expiatórios e de disseminação do medo” em meio à pandemia.
No vídeo, divulgado nesta sexta-feira (8), Guterres alertou que o sentimento de xenofobia – a aversão a pessoas de outras nacionalidades, culturas, etnias ou credos – aumentou na internet e nas ruas nos últimos meses.
“As teorias de conspiração antissemita têm se alastrado e ocorreram ataques antimuçulmanos relacionados à COVID-19. Migrantes e refugiados foram acusados de ser a fonte do vírus, tendo-lhes sido depois negado o acesso a tratamento médico”, disse o secretário-geral.
“Com os idosos entre os mais vulneráveis, surgiram ‘memes’ desprezíveis, sugerindo que eles também são os mais descartáveis. Jornalistas, denunciantes, profissionais de saúde, trabalhadores humanitários e defensores de direitos humanos estão virando alvos simplesmente porque fazem o seu trabalho.”
Guterres disse que o mundo precisa agir imediatamente para “fortalecer a imunidade das nossas sociedades contra o vírus do ódio”.
“É por isso que hoje apelo a um esforço conjunto para acabar com o discurso de ódio globalmente. Apelo aos líderes políticos que demonstrem solidariedade para com todos os membros das suas sociedades e construam e reforcem a coesão social”, acrescentou.
Ele pediu ainda às instituições de ensino que foquem na alfabetização digital, num momento em que milhares de milhões de jovens navegam na internet e que extremistas procuram explorar um público que está potencialmente confinado e desesperado.
Ele também lembrou o papel da imprensa e dos meios de comunicação em geral, incluindo na rede social. “Apelo à mídia, especialmente às empresas detentoras das redes sociais, que façam muito mais para sinalizar e, de acordo com a lei internacional de direitos humanos, removam conteúdos racistas, misóginos e outros conteúdos prejudiciais.”
Para a sociedade civil, António Guterres pediu o reforço do apoio às pessoas vulneráveis, pedindo ainda aos líderes religiosos que sirvam como modelos de respeito mútuo. “Peço a todos, em todos os lugares, que se insurjam contra o ódio, se tratem com dignidade e aproveitem todas as oportunidades para espalhar bondade”, disse.
No ano passado, o secretário-geral lançou uma estratégia e um plano de ação sobre o discurso de ódio com o objetivo de ampliar os esforços das Nações Unidas contra o problema.
“Ao combatermos essa pandemia, temos o dever de proteger as pessoas, acabar com o estigma e prevenir a violência. Vamos derrotar o discurso de ódio, e a COVID-19, juntos”, concluiu Guterres.
Informe-se:
ℹ paho.org/bra/covid19
ℹ onu.org.br/coronavirus
 
Posted: 08 May 2020 10:36 AM PDT
As medidas dos governos para combater a pandemia da COVID-19 afetaram todos os aspectos dos mercados de drogas ilegais, da produção e do tráfico ao consumo. Foto: UNODC/ Ioulia Kondratovitch
As medidas dos governos para combater a pandemia da COVID-19 afetaram todos os aspectos dos mercados de drogas ilegais, da produção e do tráfico ao consumo. Foto: UNODC/ Ioulia Kondratovitch
Medidas dos governos no mundo todo para conter a pandemia da COVID-19 levaram à interrupção generalizada das rotas de tráfico de drogas ilegais, principalmente por via aérea e terrestre, elevando alguns preços, de acordo com um novo relatório da ONU publicado na quinta-feira (7).
O relatório, sobre as tendências do mercado de drogas durante a crise do coronavírus, publicado pelo Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC), destacou que muitos países em todas as regiões relataram escassez geral de vários tipos de drogas nas ruas, bem como aumentos de preços para os consumidores e reduções de pureza.
Alguns usuários de drogas estão consequentemente trocando substâncias, por exemplo, passando da heroína para opioides sintéticos, enquanto outros estão buscando mais acesso ao tratamento medicamentoso.

Cocaína

Dados recentes sobre apreensões de cocaína revelaram que grandes remessas do produto continuam sendo interceptadas em todos os principais mercados da América Latina e Europa, afirmou o relatório do UNODC.
Essas apreensões documentam atividade de tráfico transfronteiriço em larga escala e podem ser um indicativo da continuidade do tráfico internacional de cocaína, afirmou.
Na Colômbia, um aumento nos controles implementados nas fronteiras do país parece ter levado a uma redução do tráfico de cocaína por rotas terrestres e um aumento por rotas marítimas, em particular para América Central e Europa. Similarmente, o uso de aeronaves leves aparentemente aumentou, afirmou o documento.
Mas o relatório disse haver indicações de escassez de cocaína fora dos países produtores. Dados dos Estados Unidos indicaram escassez de cocaína nas ruas e informações do Brasil indicam aumentos nos preços no atacado devido à falta de produtos traficados da Colômbia ou do Peru, segundo o documento.
O relatório lembrou que as autoridades brasileiras interpretaram a escassez como sendo causada por uma redução no fornecimento devido às restrições da COVID-19 e uma redução na demanda na Europa.
Na Europa, os lockdown estritos podem ter reduzido drasticamente o consumo de cocaína, já que a droga é frequentemente consumida em ambientes recreativos, como bares e clubes, que atualmente estão fechados na maioria dos países europeus. Isso, juntamente com opções limitadas de distribuição para o consumidor final, pode ter causado uma interrupção na demanda.
O UNODC afirmou ser possível supor que essa interrupção na cadeia de suprimentos leve os grupos narcotraficantes a armazenarem drogas perto dos países de origem.
Depois que as restrições da COVID-19 forem levantadas, há um risco de o mercado ser inundado com cocaína de baixo custo e alta qualidade, o que poderia levar a um aumento de uso e danos relacionados entre os usuários de drogas.

Outras drogas

Como drogas sintéticas, incluindo a metanfetamina, tendem a ser traficadas pelos continentes por via aérea, as restrições de viagens aéreas e os cancelamentos de voos estão afetando drasticamente a carga ilegal.
Enquanto isso, as apreensões de opiáceos no Oceano Índico ilustram que o impacto da pandemia no lucrativo negócio de heroína, que é contrabandeada principalmente por terra, a leva a ser traficada ao longo de rotas marítimas.
Dado que a maconha é frequentemente produzida perto de locais onde é comprada e vendida, os traficantes da droga – que ainda é ilegal na maior parte do mundo – dependem menos de enviá-la através de regiões e fronteiras que podem estar sob o bloqueio de coronavírus.

Padrões prejudiciais

Com vários países relatando escassez de drogas no varejo, a análise do UNODC projeta uma diminuição geral no consumo recreativo de drogas.
No entanto, uma escassez de heroína, relatada na Europa, no sudoeste da Ásia, na América do Norte e em alguns países da Europa, pode levar os consumidores a usar substâncias nocivas produzidas em seus países.
O UNODC sustentou que alguns usuários podem mudar para o fentanil e seus derivados.
Um aumento da demanda por produtos farmacêuticos, como os benzodiazepínicos, também dobrou seus preços em algumas regiões.
E a escassez de drogas ilícitas está aumentando o número de usuários intravenosos que também compartilham seringas – todos os quais correm o risco de se infectar com vírus de HIV, hepatite C e COVID-19.
“O risco de overdose de drogas também pode aumentar entre aqueles que injetam drogas e estão infectados com COVID-19”, segundo o UNODC.

Produção de drogas

As restrições de movimentação por conta da COVID-19 podem prejudicar as produções de opiáceos, enquanto de março a junho é o auge da colheita no Afeganistão.
O documento afirma que uma escassez de papoula já foi observada nas províncias do oeste e do sul do país, principalmente devido ao fechamento de uma passagem de fronteira com o Paquistão.
No caso da cocaína, a escassez de gasolina na Colômbia está impedindo a produção, enquanto na Bolívia, a COVID-19 está limitando a capacidade das autoridades estaduais de controlar o cultivo de coca, o que poderia levar a um aumento na produção.
No entanto, uma queda no preço da cocaína no Peru para os consumidores locais sugere uma redução nas oportunidades do tráfico. E o relatório indica que, embora isso possa desencorajar o cultivo de coca no curto prazo, a iminente crise econômica pode levar mais agricultores a começar a cultivar coca em todos os principais países produtores de cocaína.
Um colapso do comércio internacional durante a pandemia também pode levar à escassez de suprimentos essenciais para a fabricação de heroína e drogas sintéticas.
No longo prazo, a crise econômica causada pela pandemia da COVID-19 tem o potencial de levar a uma transformação duradoura e profunda dos mercados de drogas, afirmou o relatório do UNODC, argumentando que isso só será totalmente compreendido após mais pesquisas.
Clique aqui para acessar o relatório completo (em inglês).
 
Posted: 08 May 2020 09:24 AM PDT
Foto: UNODC
As medidas para conter a propagação do coronavírus estão expondo as vítimas de tráfico de pessoas a uma maior exploração e limitando seu acesso a serviços essenciais.
Nova análise feita pelo Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC) mostra como os bloqueios, restrições de viagem, limitações de trabalho e cortes de recursos estão tendo um impacto negativo e muitas vezes perigoso na vida dessas pessoas já vulneráveis.
De acordo com a diretora-executiva do UNODC, Ghada Waly, com a COVID-19 restringindo o movimento, desviando recursos para a aplicação da lei e reduzindo os serviços sociais e públicos, as vítimas de tráfico de pessoas têm ainda menos chance de escapar e encontrar ajuda. “Enquanto trabalhamos juntos para superar a pandemia global, os países precisam manter abertos os abrigos e linhas diretas, salvaguardar o acesso à justiça e impedir que pessoas mais vulneráveis caiam nas mãos do crime organizado. O UNODC está apoiando governos e parceiros de ONGs em todo o mundo para permitir que as unidades de combate ao tráfico continuem realizando seu trabalho essencial com segurança e para garantir que as vítimas de tráfico de pessoas possam obter a assistência de que precisam”, afirmou.
Algumas vítimas que foram resgatadas do cativeiro não podem voltar para casa porque as fronteiras estão fechadas devido à pandemia. Outras enfrentam atrasos nos procedimentos legais e uma redução no suporte e proteção em que confiam, enquanto outras correm o risco de mais abusos ou negligência por parte de seus sequestradores.
Parceiros que trabalham com o UNODC têm relatado que mais crianças estão sendo forçadas a irem para as ruas em busca de comida e renda, aumentando o risco de exploração. O fechamento das escolas não apenas interrompeu o acesso à educação, mas, em alguns casos, também impediu acesso à principal fonte de abrigo e nutrição.
O chefe da seção de tráfico de pessoas do UNODC, Ilias Chatzis, contou que estão surgindo novas oportunidades para o crime organizado se beneficiar da crise em função da pandemia da COVID-19. “Isso significa que os traficantes podem se tornar mais ativos e atacar pessoas ainda mais vulneráveis do que antes, porque perderam sua fonte de renda devido a medidas de controle do vírus”, acrescentou.
Em alguns países, os recursos destinados à aplicação da lei estão sendo desviados do combate ao crime para ações relacionadas ao controle da pandemia e os serviços de ajuda às vítimas do tráfico estão sendo reduzidos ao mínimo ou sendo encerrados. Para o o chefe de seção de tráfico de pessoas.
Segundo Ilias Chatzis, as pessoas em situação vulnerável estão mais sujeitas a contraírem o vírus e têm menos acesso à assistência médica se ficarem doentes. “É alarmante saber que, em alguns lugares, as vítimas do tráfico não têm mais acesso a abrigos, alguns abrigos até fecharam devido ao vírus e outros carecem de equipamentos de proteção – colocando as vítimas e os funcionários em risco”, afirmou.
O UNODC está monitorando constantemente a situação por meio da sua rede de escritórios de campo e parceiros globais e tem aumentado o apoio prestado.
Ilias Chatzis explicou que o UNODC ajuda as unidades de combate ao tráfico a obter o equipamento de proteção necessário para realizar seu trabalho com segurança, fornecendo financiamento para ajudar as vítimas que precisam de apoio adicional, durante esta crise, e ajudando os países a avaliar o impacto da pandemia nos recursos destinados às vítimas, bem como para a aplicação da lei e sistemas de justiça.
Além de uma resposta direta, o UNODC recomenda que os governos tomem medidas para garantir que, enquanto as atuais restrições a viagens e liberdade de movimento sejam respeitadas, o acesso a serviços essenciais para vítimas de tráfico de pessoas seja garantido sem discriminação.
“O tráfico de seres humanos é o resultado do fracasso de nossas sociedades e economias em não proteger os mais vulneráveis. Eles não devem ser ‘punidos’ em tempos de crise”, disse Ilias Chatzis.
Acesse aqui a publicação Impacto da Pandemia de COVID-19 no Tráfico de Pessoas.
 
Posted: 08 May 2020 08:04 AM PDT
Foto: UNAIDS
Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids (UNAIDS) pede aos países que permaneçam firmes em seus esforços de prevenção ao HIV e garantam que as pessoas possam continuar acessando os serviços de que precisam para permanecerem livres do HIV, sem discriminação e sem violência e que sejam capazes de desfrutar de sua saúde e direitos sexuais e reprodutivos.
Apesar do progresso global na prevenção do HIV, com as novas infecções caindo 40% desde o pico de 1997, os ganhos obtidos com grande esforço correm o risco de serem revertidos pela pandemia da COVID-19 em todo o mundo.
De acordo com a diretora-executiva do UNAIDS, Winnie Byanyima, a COVID-19 está impactando quase todos os países e comunidades, mas a epidemia global de HIV não desapareceu. “As pessoas ainda estão fazendo sexo. As pessoas ainda estão usando drogas. Durante a pandemia da COVID-19, todos devem receber as ferramentas necessárias para permanecerem seguras e se proteger do HIV. Os direitos humanos são a pedra angular da prevenção do HIV e devem ser a pedra angular da resposta à COVID-19”, disse.
Três novos documentos sobre prevenção ao HIV publicados pelo UNAIDS e parceiros da Coalizão Global sobre Prevenção do HIV analisam como manter e priorizar os serviços de prevenção ao HIV no contexto da COVID-19. Eles analisam as medidas críticas necessárias para manter os mais vulneráveis vivos e saudáveis, incluindo as medidas necessárias para prevenir e combater a violência contra mulheres e crianças, para manter o suprimento de mercadorias críticas disponíveis e para sustentar os meios de subsistência das pessoas mais pobres do
mundo.
Os documentos explicam que o leque de opções para prevenir o HIV — preservativos, lubrificantes, agulhas e seringas estéreis e terapia de substituição de opiáceos para pessoas que injetam drogas, profilaxia pré-exposição e profilaxia pós-exposição e tratamento como prevenção — são tão válidos agora como sempre foram. É preciso encontrar formas inovadoras de levar produtos de prevenção ao HIV para as pessoas que precisam deles  – distribuir quantidades de suprimentos de prevenção para longo prazo, permitir que os centros de distribuição permaneçam abertos durante os bloqueios e proteger os pontos de distribuição na comunidade, são apenas algumas possibilidades.
Além de prejudicar os serviços de prevenção e tratamento do HIV, o UNAIDS está preocupado com o fato da epidemia da COVID-19 ser um fator de aumento da vulnerabilidade ao HIV. A perda generalizada de meios de subsistência e menos oportunidades de emprego podem significar que o sexo transacional, o trabalho sexual e a exploração sexual aumentarão, colocando as pessoas em risco aumentado de infecção pelo HIV, a menos que tenham meios de se proteger.
Além dos insumos de prevenção ao HIV, é essencial a disponibilidade contínua de serviços e programas de apoio à prevenção do HIV, prevenção da violência de gênero e promoção da saúde e direitos sexuais e reprodutivos como serviços essenciais. Serviços de aconselhamento e testagem para HIV, triagem e tratamento de infecções sexualmente transmissíveis, continuidade do acesso a serviços de saúde sexual e reprodutiva, serviços de assistência de pares e outros serviços comunitários, serviços de apoio psicossocial, centros de acolhimento
para populações-chave e vulneráveis, educação sexual abrangente e a proteção contra a violência sexual é vital para preservar a resposta à prevenção do HIV. Os bloqueios impostos durante a resposta da COVID-19 resultaram em aumentos alarmantes nos relatos de violência doméstica e por parceiros íntimos contra mulheres e violência fora de casa, exigindo reforço urgente dos serviços de prevenção, proteção e apoio à violência de gênero e sexual.
Como o distanciamento social e os bloqueios praticamente pararam a prestação de serviços presenciais, o UNAIDS está pedindo a introdução de meios inovadores através dos quais as pessoas possam acessar estes serviços. As reuniões físicas podem ser mais seguras usando mecanismos que não permitam muitas pessoas em uma instalação ao mesmo tempo, reuniões e sessões de educação podem acontecer virtualmente e o uso de linhas telefônicas e serviços de SMS tem um um importante papel para manter pessoas a salvo do novo coronavírus e permitir que continuem recebendo a ajuda necessária para se manterem livres do HIV. O autoteste do HIV é uma maneira mais segura de realizar o teste, pois reduz o contato com outras pessoas e reduz a carga de serviço nas unidades de saúde.
As organizações e redes comunitárias são essenciais para a resposta à AIDS, devido ao papel central que desempenham na conscientização, no fornecimento de informações, na dissipação de mitos, no combate à desinformação e na prestação de serviços para populações marginalizadas e vulneráveis. Agora, mais do que nunca, as lideranças comunitária devem ser apoiadas para inovar, entregar e serem reconhecidas como prestadores de serviços essenciais para as respostas ao HIV e à COVID-19.
Quarenta anos de resposta ao HIV ensinaram lições valiosas, especialmente que a pandemia da COVID-19 não afetará a todos igualmente e que os mais marginalizados, incluindo populações-chave, serão os mais afetados. Nos três novos documentos, o UNAIDS pede aos países que adotem uma abordagem de direitos humanos e priorizem as necessidades das populações mais marginalizadas durante a pandemia de COVID-19, incluindo a manutenção de
serviços críticos de prevenção ao HIV.
 
Posted: 08 May 2020 07:10 AM PDT
Médico examina gestante durante consulta pré-natal no centro de saúde de Gbaleka, norte da Costa do Marfim. Foto: UNICEF/Frank Dejongh
Médico examina gestante durante consulta pré-natal no centro de saúde de Gbaleka, norte da Costa do Marfim. Foto: UNICEF/Frank Dejongh
Estima-se que 116 milhões de bebês nascerão no mundo sob a sombra da pandemia de COVID-19, disse o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) na quinta-feira (7), antecipando-se ao Dia das Mães no próximo domingo (10).
A previsão é de que esses bebês nasçam até 40 semanas depois de a COVID-19 ter sido reconhecida como uma pandemia, no último dia 11 de março, sobrecarregando sistemas de saúde e cadeias de suprimentos médicos em todo o mundo.
Mães e recém-nascidos serão recebidos por difíceis realidades, disse o UNICEF, incluindo medidas globais de contenção, como confinamentos, lockdown e toques de recolher; centros de saúde sobrecarregados com os esforços da resposta à pandemia; escassez de suprimentos e equipamentos; e falta de pessoal qualificado para assistir o parto, incluindo parteiras e enfermeiras obstetras, uma vez que profissionais de saúde estão sendo remanejados para tratar pacientes com COVID-19.
“Milhões de mães em todo o mundo embarcaram na jornada da maternidade no mundo que existia antes da pandemia. Elas agora precisam se preparar para trazer uma vida a um mundo muito diferente – um mundo onde as gestantes receiam ir aos centros de saúde por medo de serem infectadas, ou estão perdendo cuidados emergenciais devido a serviços de saúde sobrecarregados e medidas de confinamento”, disse Henrietta Fore, diretora-executiva do UNICEF. “É difícil imaginar o quanto a pandemia de coronavírus reformulou a maternidade”.
Antecipando-se ao Dia das Mães, celebrado em maio em mais de 128 países, o UNICEF está alertando que as medidas de contenção da COVID-19 podem atrapalhar serviços de saúde vitais, como assistência ao parto, colocando milhões de gestantes e seus bebês em grande risco.
Os países com o maior número esperado de nascimentos nos nove meses desde a declaração da pandemia são: Índia (20,1 milhões), China (13,5 milhões), Nigéria (6,4 milhões), Paquistão (5 milhões) e Indonésia (4 milhões). A maioria desses países apresentava altas taxas de mortalidade neonatal mesmo antes da pandemia e podem ver o aumento desses níveis com as condições da COVID-19. O Brasil está entre os 10 países com maior número esperado de nascimentos (2,3 milhões).
Até os países mais ricos são afetados por esta crise. Nos Estados Unidos, o sexto país em termos de número esperado de nascimentos, mais de 3,3 milhões de bebês devem nascer entre 11 de março e 16 de dezembro. Em Nova Iorque, as autoridades estão investigando centros alternativos de parto, pois muitas mulheres grávidas estão preocupadas com dar à luz em hospitais.
O UNICEF alerta que, embora evidências sugiram que mulheres grávidas não sejam mais afetadas pela COVID-19 do que outras pessoas, os países precisam garantir que elas ainda tenham acesso aos serviços de pré-natal, parto e pós-parto. Da mesma forma, os recém-nascidos doentes precisam de serviços de emergência, pois apresentam alto risco de morte. Novas famílias precisam de apoio para iniciar a amamentação e obter medicamentos, vacinas e nutrição para manter seus bebês saudáveis.
Em nome das mães em todo o mundo, o UNICEF está apelando urgentemente aos governos e prestadores de serviços de saúde para salvar vidas nos próximos meses:
Ajudando as mulheres grávidas para que tenham acesso a exames pré-natais, assistência especializada, serviços de assistência pós-natal e cuidados relacionados à COVID-19, conforme necessário;
Assegurando o que os profissionais de saúde recebam o equipamento de proteção individual necessário e obtenham testes e vacinação prioritários assim que uma vacina contra a COVID-19 estiver disponível, para que possam oferecer atendimento de alta qualidade a todas as mulheres grávidas e recém-nascidos durante a pandemia;
Garantindo que todas as medidas de prevenção e controle de infecção estejam em vigor nas unidades de saúde durante e imediatamente após o parto;
Permitindo que os profissionais de saúde alcancem mulheres grávidas e novas mães por meio de visitas domiciliares, incentivando as mulheres que vivem em áreas remotas a que usem as casas de espera maternas e usando estratégias móveis de saúde para teleconsultas;
Capacitando, protegendo e equipando os profissionais de saúde com kits higienizados de parto para atender partos domiciliares onde as unidades de saúde estiverem fechadas; e
Alocando recursos para serviços e suprimentos vitais para a saúde materno-infantil.
Embora ainda não existam evidências de que o vírus seja transmitido da mãe para o bebê durante a gravidez e o parto, o UNICEF recomenda que todas as mulheres grávidas:
Sigam as precauções para se proteger da exposição ao vírus, monitorem de perto os sintomas da Covid-19 e procurem aconselhamento nas instalações designadas mais próximas se tiverem preocupações ou apresentarem sintomas;
Tomem as mesmas precauções para evitar a infecção por Covid-19 que os demais grupos de risco: pratiquem distanciamento físico, evitem reuniões físicas e usem serviços de saúde online;
Procurem atendimento médico precoce se morarem em áreas afetadas ou de risco e tiverem febre, tosse ou dificuldade em respirar;
Perguntem a seu/sua profissional de saúde onde é o lugar mais seguro para dar à luz e tenham um plano de parto para reduzir a ansiedade e garantir que cheguem ao local a tempo;
Continuem amamentando o bebê, mesmo que estejam infectadas ou suspeitem estar infectadas, pois o vírus não foi encontrado em amostras de leite materno. Mães com Covid-19 devem usar uma máscara ao alimentar o bebê; lavar as mãos antes e depois de tocar no bebê; e limpar e desinfetar rotineiramente as superfícies;
Continuem com o apoio de saúde, incluindo imunizações de rotina, depois que o bebê nascer; e
Continuem segurando e acalentando o recém-nascido, mantendo os cuidados e o contato com o bebê.
Mesmo antes da pandemia de COVID-19, cerca de 2,8 milhões de mulheres grávidas e recém-nascidos morriam a cada ano no mundo, ou 1 a cada 11 segundos, a maioria por causas evitáveis. O UNICEF pede investimento imediato em profissionais de saúde com o treinamento certo, equipados com os medicamentos certos para garantir que todas as mães e recém-nascidos sejam atendidos por um par de mãos seguras para prevenir e tratar complicações durante a gravidez e o parto.
“Este será um Dia das Mães particularmente de grande comoção, pois muitas famílias foram separadas durante a pandemia de coronavírus”, disse Fore. “Mas também é um momento de união, um momento de reunir todos em solidariedade. Podemos ajudar a salvar vidas, garantindo que cada mãe grávida receba o apoio de que precisa para dar à luz com segurança nos próximos meses”.
 
Posted: 08 May 2020 07:03 AM PDT
Clique para exibir o slide.O médico Gerson Costa Filho deixou o atendimento nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) incrustadas nas comunidades da região Norte do Rio de Janeiro, onde atuou por oito anos, para se dedicar à saúde de migrantes, refugiados e comunidade local em um dos extremos do Brasil, no estado de Roraima. Ele se juntou à equipe de Saúde da Organização Internacional para as Migrações (OIM) para reforçar o atendimento local em uma UBS da cidade.
De um contexto urbano marcado por várias adversidades, Gerson passou para outro, também caracterizado por diversos desafios e que deixa marcas, mas essas expressas na garra e persistência dos venezuelanos que saem do seu país de origem em busca de novas oportunidades.
A partir desta semana, o médico de família estará à frente de uma das duas Unidades Móveis de Saúde pilotadas pela OIM, que começam a funcionar na capital de Roraima nesse período de pandemia da COVID-19e. Junto com a equipe de saúde da Agência da ONU para as Migrações, Gerson irá atender brasileiros, migrantes e refugiados nas áreas cobertas pela Operação Acolhida, resposta humanitária do governo federal, entre outros pontos estratégicos. Um esforço coordenado com as autoridades locais.
“É um recurso que permitirá uma resposta muito mais rápida às necessidades e demandas em saúde da população em trânsito migratório e alojamento temporário, de forma flexível e dinâmica, como é o próprio processo de migração: nós vamos até onde as pessoas estão”, destaca Gerson, que também lembra que a itinerância trará outras demandas.
“Esse constante movimento vai nos exigir criatividade e jogo de cintura para sermos capazes de estabelecer vínculos fortes o suficiente para o acolhimento eficaz das necessidades de saúde dessas pessoas, mas também para o seu cuidado continuado, quando necessário”.
Com a pandemia de COVID-19, o desafio só aumentou para a equipe da OIM. Esse contexto era inimaginável há pouco tempo, quando os veículos deixavam a capital do Brasil rumo ao Norte do país.
“A pandemia trouxe muitos elementos para nossa reflexão. Temos cada vez mais clareza do peso que as iniquidades em saúde impõem sob a forma de adoecimento aos mais vulneráveis – não só mais passíveis de contágio, mas também por terem menos recursos disponíveis para o cuidado integral em saúde. Oferecer novos recursos ao sistema de saúde local será uma oportunidade única nesse período peculiar”, conclui o profissional.
Com os equipamentos disponíveis nas vans, que funcionarão como verdadeiros consultórios móveis, será possível fazer o acompanhamento médico de pacientes com diabetes e hipertensão, por exemplo, e até mesmo realizar exames de pré-natal e pequenos procedimentos. Serão atendidos, em média, mil pacientes por mês em cada unidade.
Para Luiz Otávio Bastos, outro profissional da medicina que trabalha no consultório móvel, o atendimento médico numa unidade que não é fixa segue padrões diferentes de um consultório tradicional, com outra lógica de organização do serviço, mas com a mesma eficácia.
“Com os recursos disponíveis e estrutura das vans, é possível realizar procedimentos e exames para lidar com emergências e respeitar a privacidade da pessoa que busca atendimento. Temos boas expectativas de superar o modelo de atendimento como mutirões de consultas”, relata Luiz Otávio.
O médico, que já atuou nos mais diferentes recantos do Amazonas, atendendo população urbana, ribeirinha e indígena, acredita que nesse período onde pessoas fragilizadas  se  encontram ainda mais vulneráveis, será primordial ampliar o acesso à saúde.
“É importante lembrar que essas populações vulneráveis vivem em moradias provisórias, muitas vezes densamente povoados e com dificuldade de acesso à água. São condições onde seguir as orientações de prevenção contra a pandemia se tornam muito mais difíceis”, afirma Luiz Otávio.
“Assim, ampliar o acesso à saúde, identificando precocemente casos potencialmente graves e estabilizando as doenças de base consideradas como fatores de risco para esta nova doença, tornam-se medidas cruciais de enfrentamento ao coronavírus”, finaliza o médico.
Esta e as demais ações em saúde da OIM em Roraima são realizadas com o apoio financeiro do Governo do Japão. O intuito é garantir assistência humanitária nas áreas de atenção primária à saúde por meio do suporte assistencial em saúde a venezuelanos e a população do estado. As atividades são alinhadas e executadas em consonância com o Sistema Único de Saúde e diferentes esferas de governo.
 
Posted: 08 May 2020 06:20 AM PDT
A defensora da ONU Mulheres Brasil para Prevenção e Eliminação da Violência contra as Mulheres, Juliana Paes, e a diretora do Think Olga, Maíra Liguori, participam, nesta sexta-feira (8), a partir das 19h30, da live “Violência Doméstica em tempos de pandemia”.
A conversa será transmitida pelos perfis @julianapaes e @think_olga no Instagram e terá duração estimada de 30 minutos.
A dupla falará sobre a violência doméstica e familiar antes e durante a pandemia, engajamento social para proteger mulheres no contexto da COVID-19 e as funcionalidades da robô Isa.bot, desenvolvida pelo Conexões que Salvam, da ONG Think Olga, e pelo Mapa do Acolhimento com o apoio do Facebook, Google e ONU Mulheres Brasil.
segunda fase da Isa.bot foi lançada em 28 de abril para oferecer mais informação sobre violência doméstica e familiar.

Acionamento da Isa.bot

Por meio de uma experiência interativa, a Isa.bot apresenta conteúdos para diferentes públicos e situações. As usuárias podem navegar por três fluxos principais: Violência Doméstica, Violência Online e Saber Mais.
Ao acessar as duas primeiras a bot oferece ferramentas para mulheres que estejam sofrendo ou tenham sofrido violência. Para quem escolher “Saber mais“, a bot indicará conteúdos para quem deseja ajudar, além de dicas para ajudar as mulheres a manterem-se seguras.
Para ativar a ISA.bot, basta chamá-la no Messenger da Página IsaBot no Facebook, e ativando, por escrito ou verbalmente, por “OK Google, falar com Robô Isa” no Google Assistente. Ao somar o recurso do chat (pelo Messenger) ao recurso de voz, o objetivo é ampliar o alcance e a atuação da bot, considerando que nem todas são fluentes na linguagem escrita ou digital.
Lançada originalmente no final de 2019, a ISA.bot rapidamente se transformou em uma forte aliada das mulheres vítimas de violência, sendo acessada por mais de 69 mil mulheres até o momento.
 

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