| Depoimento de Moro acentua crise entre ele e Bolsonaro |
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A divulgação da íntegra do depoimento de Sergio Moro, ex-ministro da Justiça e Segurança Pública, na Superintendência da Polícia Federal (PF) em Curitiba no sábado (2) reascendeu a crise política envolvendo sua saída do governo e a troca na direção da PF pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido).
Moro amenizou as acusações feitas em 24 de abril, quando anunciou sua demissão. No dia, afirmou que saía porque Bolsonaro havia exonerado à sua revelia o diretor-geral da PF Maurício Valeixo e que tinha interesses em interferir no órgão.
No sábado, soube-se hoje, disse aos investigadores da PF e da Procuradoria-Geral da República (PGR) que não acusou Bolsonaro de um crime e que esse juízo caberia "às instituições competentes". Em outro momento, esquivou-se de explicar as pressões para a substituição do então superintendente da PF do Rio de Janeiro, o delegado Ricardo Saadi.
Moro alegou que o presidente "pediu" o controle da superintendência da instituição no Rio de Janeiro, alvo de interesse da família Bolsonaro: "Moro, você tem 27 Superintendências, eu quero apenas uma, a do Rio de Janeiro", teria dito.
Na ocasião da saída de Moro, Bolsonaro acusou-o de não se empenhar na investigação sobre a facada que recebeu em 2018 durante a campanha eleitoral. Esse teria sido o motivo para a saída de Valeixo, segundo Moro. O ex-juiz da Lava Jato, contudo, negou falta de empenho no caso e disse que o presidente teve acesso ao trabalho de investigação sobre o caso Adélio.
Pouco depois da divulgação da íntegra do documento, Bolsonaro falou com a imprensa e acusou o ex-ministro de cometer crime federal ao tornar públicas conversas entre os dois: "Ele tinha peças de relatórios pessoais de coisas que eu passava para ele. É um crime federal."
A crise em torno da nomeação do novo diretor-geral da PF tem se desenrolado desde a saída de Moro, e se acirrou com a suspensão da nomeação de Ramagem pelo ministro do STF, Alexandre de Moraes. O episódio rendeu uma nova crise entre o presidente e o Supremo.
A crise ganhou um novo capítulo ontem com a nomeação de Rolando Alexandre de Souza. Horas depois de assumir o cargo, ele anunciou que pretende trocar a direção da PF do Rio. Agora, o juiz federal da 8ª Vara Cível do Distrito Federal, Francisco Alexandre Ribeiro, deu 72 horas para que o governo se manifestar sobre a nomeação de Souza. |
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