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quinta-feira, 19 de março de 2020

Posted: 19 Mar 2020 01:31 PM PDT
Missão Europeia visita o território do Alto Rio Pardo. Foto: Guilherme Larsen/PNUD Brasil
Missão Europeia visita o território do Alto Rio Pardo. Foto: Guilherme Larsen/PNUD Brasil
Polpas de fruta lotavam os freezers da pequena agroindústria da comunidade Água Boa II, enquanto uma comitiva de pesquisadores estrangeiros, além de técnicos e parceiros do Projeto Bem Diverso usavam tocas higiênicas para acompanhar cada um dos processos – desde a lavagem da fruta até o empacotamento e rotulagem do produto. O beneficiamento das espécies do Cerrado tem transformado a vida de centenas de famílias na região.
Acompanhar e conferir este e outros resultados da atuação do projeto no território foi o objetivo da missão, que aconteceu no início de março e percorreu municípios
que abrigam as atividades do Bem Diverso no território do Alto Rio Pardo, ao norte de Minas Gerais.
O Projeto Diálogos Setoriais viabilizou a troca de experiências entre pesquisadores brasileiros e europeus, promovido pela União Europeia, Ministério da Economia, Ministério das Relações Exteriores e pelo Projeto Bem Diverso (PNUD/GEF/EMBRAPA).
A primeira parada da comitiva foi o Centro de Agricultura Alternativa do Norte de Minas, a Cooperativa Grande Sertão e a Área de Experimentação e Formação em Agroecologia, em Montes Claros. De acordo com coordenador da Área de Experimentação e Formação em Agroecologia, Álvaro Carrara, “os produtos da sociobiodiversidade são processados dentro de um sistema que, além de gerar renda e garantir a segurança alimentar das comunidades rurais, conserva e preserva o Cerrado e a Caatinga, recupera nascentes e áreas degradadas, forma guardiões de sementes nativas e capacita e encoraja os jovens a permanecerem e viverem dos bens da terra”.
Educação no campo
Na Escola Família Agrícola Nova Esperança (EFA), em Taiobeiras, foi a vez de comprovar o fortalecimento das tradições e técnicas rurais passadas a jovens em curso técnico inserido na grade do ensino médio. Eles aprendem tecnologias sustentáveis para empregar nas comunidades em que vivem. Para o diretor da escola, Josimar Almeida, muitos jovens vão perdendo a identidade com o campo, achando que a roça e a produção de alimentos não são importantes. “A EFA Nova Esperança nasceu contra esse movimento, porque a educação no campo é um direito”, explicou o diretor.
Na avaliação do cientista da Luke Natural Resources Institute Finland, Mikko Kurttila, o projeto é bem estruturado e está ajudando as comunidades desenvolverem suas atividades em bases sustentáveis. “Isso é excelente. O que eu aprendi com o Projeto Bem Diverso no Brasil é fazer o uso da biodiversidade priorizando a conservação, enquanto na Finlândia nós não usamos a biodiversidade, a preocupação é apenas preservar”, comentou o cientista.
Vivenciando a cultura local
Em todos os lugares onde passou, a comitiva teve a oportunidade de provar alimentos à base de espécies locais, tanto in natura – como o pequi, a cagaita, o araticum – até os já beneficiados e com valor agregado, como o café especial sombreado Cacunda de Librina, produzido em Sistemas Agro-florestais (SAFs) na comunidade Vereda Funda, em Rio Pardo de Minas, a cerveja artesanal de coquinho azedo da Grande Sertão; e ainda as polpas das inúmeras frutas do Cerrado produzidas pela Cooperativa de Agricultores Agroextrativistas de Água Boa II (COOPAAB).
O grupo acompanhou o trabalho dos coletores e restauradores do Cerrado na Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) Nascentes Geraizeiras (Alto Rio Pardo) que contaram, com muito orgulho, como o projeto os incentiva a recuperar o bioma e os meios de vida das comunidades locais. Segundo a jovem restauradora Fabrícia Santarém, o uso sustentável do Cerrado vem mudando a geração de renda da comunidade. “O trabalho contribui para a valorização das raízes locais e a permanência dos jovens no campo” explicou a restauradora.
A comitiva foi recebida por um grupo de seresteiros com a tradicional Folia de Reis e Catira – dança folclórica regional.
De acordo com o Conselheiro da Delegação da União Europeia no Brasil, Rui Ludovino, o Projeto Bem Diverso contribui com a manutenção da biodiversidade de forma inclusiva. “O projeto contribui para o enfrentamento da mudança global do clima e da crise ecológica. É preciso corroborar para o grande pacto verde estipulado globalmente”, complementou.
Consolidando parcerias
Para o professor de agribusiness da Hochschule Rhein-Waal University of Applied Sciences na Alemanha, Dietrich Darr, e para Wageningen University & Research da Holanda, Verina Ingram, agora é o momento de consolidar os produtos com investimento em crédito e em estratégias de marketing para que possam manter a sustentabilidade da cadeia se tornando mais atraentes, e, assim, ter acesso a crédito para alcançarem o mercado (nacional e internacional). “Estamos aqui para discutir com nossos colegas pesquisadores da Embrapa como podemos trabalhar juntos nessas questões”, explicou o professor alemão.
A pesquisadora Verina verificou que a forma com que a comunidade clama por suas terras e emprega o desenvolvimento sustentável é parecido com algumas populações que ela acompanha onde mora, em Camarões, na África. “Agora vejo a necessidade de investidores para os negócios e marketing para ajudar a manter a sustentabilidade da cadeia, desde a produção até chegar nos consumidores”, acrescentou a pesquisadora.
Para o assessor técnico do PNUD, Fernando Moretti, a estratégia do Seminário Internacional em Brasília e da Missão de Campo foi mostrar que o conhecimento acumulado tanto pelo Bem Diverso quanto pelas experiências compartilhadas pelos pesquisadores e professores europeus serviu para identificar possibilidades de colaboração e cooperação técnica entre os vários atores envolvidos. “A parceria entre os Projetos Diálogos Setoriais e Bem Diverso se mostrou bastante rica na promoção do intercâmbio de conhecimentos entre as diversas experiências nas áreas de extrativismo e conservação pelo uso sustentável, e agora trabalharemos para que esta parceria siga profícua, seja através de novos editais, pesquisas ou mesmo projetos”, afirmou o assessor técnico do PNUD.
O coordenador do Projeto Bem Diverso e pesquisador da Embrapa, Anderson Sevilha, explicou que os próximos passos estarão relacionados à formalização das parcerias institucionais com a Embrapa, o Bem Diverso, instituições e universidades envolvidas no Diálogos Setoriais. O que significa, na prática, escrever projetos para buscar recursos e dar continuidade ao trabalho em campo executado no território.
“A troca de experiências começou entre os pesquisadores, mas a ideia é que se amplie com o intercâmbio de estudantes, agricultores, extensionistas brasileiros e europeus, para que conheçam as diferentes realidades”, afirmou o coordenador. Um ponto foi marcante em todas as falas: o complemento que o projeto traz em relação à pesquisa, já que o Bem Diverso é um projeto de desenvolvimento. A nossa capacidade de trazer a pesquisa voltada para o desenvolvimento local dessas comunidades chamou a atenção dos estrangeiros”, finalizou o coordenador do Projeto Bem Diverso.
 
Posted: 19 Mar 2020 01:05 PM PDT
O secretário-geral da ONU, António Guterres, durante coletiva de imprensa virtual sobre a pandemia de COVID-19. Foto: Reprodução
O secretário-geral da ONU, António Guterres, durante coletiva de imprensa virtual sobre a pandemia de COVID-19. Foto: Reprodução
À medida que o medo e a incerteza do público crescem em torno da pandemia da COVID-19, “mais do que nunca, precisamos de solidariedade, esperança e vontade política para enfrentar essa crise juntos”, disse o secretário-geral da ONU, António Guterres, nesta quinta-feira (19), em sua primeira coletiva de imprensa virtual.
Diferentemente de qualquer crise de saúde global nos 75 anos de história das Nações Unidas, a pandemia do novo coronavírus está espalhando sofrimento humano, infectando a economia global e prejudicando a vida das pessoas, acrescentou.
Pedindo solidariedade global, Guterres disse: “nossa família humana está estressada e o tecido social está sendo rasgado. As pessoas estão sofrendo, doentes e assustadas”.
Como as respostas no nível nacional não podem abordar sozinhas a escala e a complexidade globais da crise, ele sustentou que “é necessária uma ação política coordenada, decisiva e inovadora” das principais economias do mundo.
Guterres disse esperar participar da cúpula de emergência dos líderes do G20 na próxima semana para responder ao “desafio épico” representado pela atual pandemia.
“Minha mensagem central é clara”, disse. “Estamos em uma situação sem precedentes e as regras normais não se aplicam mais”.
Indicando que “estamos em guerra com um vírus”, o chefe da ONU enfatizou que as respostas criativas “devem corresponder à natureza única da crise – e a magnitude da resposta deve corresponder à sua escala”.
E embora a COVID-19 esteja matando pessoas e atacando economias, gerenciando bem a crise, “podemos orientar a recuperação em direção a um caminho mais sustentável e inclusivo”, disse ele.
WATCH LIVE: ⁦@antonioguterres⁩ takes questions on the #COVID19 pandemic and stresses the importance of global solidarity in response to #coronavirus crisis. https://t.co/So8QVjnBy3
— United Nations (@UN) March 19, 2020

“Peço aos líderes mundiais que se unam e ofereçam uma resposta urgente e coordenada a essa crise global”, afirmou.

Emergência de saúde

O chefe da ONU disse que enfrentar a emergência de saúde é a sua preocupação número um, e defendeu a ampliação dos gastos com saúde para cobrir, entre outras coisas e “sem estigma”, testes, apoio aos profissionais de saúde e garantia de suprimentos adequados.
“Está provado que o vírus pode ser contido. Ele deve ser contido”, disse ele, aconselhando a mudança de uma estratégia de país para país a uma “resposta global coordenada, incluindo a ajuda a países menos preparados para enfrentar a crise”.
“A solidariedade global não é apenas um imperativo moral, é do interesse de todos”, afirmou Guterres, instando os governos a atender plenamente aos apelos da Organização Mundial da Saúde (OMS), dizendo: “somos tão fortes quanto o sistema de saúde mais fraco”.

Resposta e recuperação

Como segunda prioridade frente à crise, Guterres citou o impacto social e a recuperação e resposta econômica.
Ele falou sobre o novo relatório da Organização Internacional do Trabalho (OIT) projetando que os trabalhadores poderão perder cerca de 3,4 trilhões de dólares em renda até o final do ano.
Mas o mundo não está passando por um choque comum na oferta e na demanda, “é um choque para a sociedade como um todo”, disse ele.
“Fundamentalmente, precisamos nos concentrar nas pessoas – nos trabalhadores mais vulneráveis, com baixos salários, pequenas e médias empresas”, explicou o chefe da ONU. “Isso significa apoio salarial, seguro, proteção social, prevenção de falências e perda de empregos”.
Ele defendeu que “a recuperação não deve acontecer nas costas dos mais pobres – e não podemos criar uma legião de novos pobres”, insistindo na importância de apoiar os trabalhadores da economia informal e os países menos capazes de responder à crise.
Apelando a um compromisso financeiro global, ele observou que o Fundo Monetário Internacional (FMI), o Banco Mundial e outras instituições financeiras internacionais terão um papel fundamental.
Guterres incentivou o desmantelamento das barreiras comerciais e o restabelecimento das cadeias de suprimentos.
Ele também falou do impacto da pandemia sobre as mulheres, dizendo que elas “carregam desproporcionalmente o fardo em casa e na economia em geral”, e sobre as crianças, observando que mais de 800 milhões delas estão fora da escola, “muitas das quais dependem da escola para sua única refeição”.
“Enquanto a vida das pessoas é perturbada, isolada e revirada, devemos impedir que essa pandemia se transforme em uma crise de saúde mental”, continuou o secretário-geral da ONU, indicando a necessidade de manter programas de apoio aos mais vulneráveis, sublinhando que “as necessidades humanitárias não devem ser sacrificadas”.
Diante desse cenário, Guterres afirmou que temos a responsabilidade de voltarmos melhores dessa crise.
“Precisamos garantir que as lições sejam aprendidas e que esta crise seja um momento decisivo de preparação para emergências em saúde e para investimentos em serviços públicos essenciais do século 21 e a entrega efetiva de bens públicos globais”, disse ele.
Apontando para a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável e o Acordo de Paris sobre Mudanças Climáticas, ele concluiu: “devemos manter nossas promessas para as pessoas e o planeta”.
 
Posted: 19 Mar 2020 11:48 AM PDT
Clique para exibir o slide.Com graça e confiança, a síria Naleen, de 15 anos, dedilha seu tanbur, um instrumento tradicional de cordas que parece uma extensão de seu corpo. Por meio da música, ela conta sua história para o mundo.
Para Naleen, a arte reflete a realidade: seu tanbur foi uma das únicas coisas que foi capaz de levar consigo quando fugiu da Síria há menos de seis meses.
Hoje, ela mora com a mãe no campo de refugiados de Bardarash, no Iraque. A música a mantém conectada com a vida que ela foi forçada a deixar para trás.
“Quando eu estava em casa, eu cantava para a minha mãe. Ela me dizia, ‘já que você canta tão bem, por que não toca um instrumento?’”, contou Naleen. “Eu escolhi o tanbur porque é curdo e é amado em Qamishly, minha cidade natal. Eu frequentava aulas de música e depois praticava em casa.”
De repente, em outubro de 2019, as melodias foram interrompidas pelos ruídos do conflito. “Quando o bombardeio começou, os sons eram assustadores e muito altos”, disse Naleen. “Começavam às 17h e iam até o início da manhã. Não conseguíamos dormir, porque pensávamos que a qualquer momento poderíamos ser atingidos.”
Assim que as coisas se acalmaram um pouco, Soleen e sua mãe fugiram para a casa de seu tio em uma vila próxima. Ainda se sentindo inseguras, correram rumo ao Iraque e cruzaram a fronteira.
“Quando chegamos, fiquei com muito medo. A todo momento pensava que poderia levar um tiro”, afirmou. “Mas foi o contrário. Quando chegamos, nos sentimos seguras. Fomos bem recebidas e levadas para o centro de recepção. Ficamos lá durante a noite e, no dia seguinte, fomos para o campo.”
Naleen e sua mãe estão entre os mais de 21 mil refugiados sírios que buscaram segurança no Iraque. A Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) e seus parceiros estão recebendo-os com abrigo, comida, assistência médica, cobertores, roupas quentes e outros itens emergenciais.
Mas uma tenda não é uma casa, e todos os dias Soleen sente falta de seu próprio quarto e de outros ambientes familiares. “Nossa casa era feita de barro. Tinha dois quartos e uma cozinha. Tínhamos algumas árvores no jardim, além de azeitonas e uvas”, contou.
Em toda a região, aproximadamente 70% dos sírios que precisam de ajuda humanitária são mulheres e crianças. Após nove anos de conflito, crianças como Naleen sentem que suas vidas estão pausadas por tempo indefinido.
“Sinto falta da escola e do centro de aprendizado de inglês”, disse. “Se não fosse por essa guerra, eu já teria progredido e praticado mais.”
Seu tanbur é uma ponte entre a vida que ela teve que deixar para trás e o futuro que ela deseja alcançar. Ela conhece uma música triste que, infelizmente, se encaixa perfeitamente no seu dilema atual.
“Eu gosto dessa música, que fala sobre uma garotinha”, explicou Naleen. “A letra diz que as crianças vieram a este mundo para serem felizes e brincarem, não para morrer em uma guerra.”
“Minha mensagem ao mundo, a todos os países, é para que coloquem um fim à guerra na Síria”, declarou. “Viver em meio à guerra é deprimente. Para as crianças, brincar em tempos de guerra é muito diferente de brincar quando há paz.”
Nos últimos nove anos, o ACNUR tem trabalhado incansavelmente para ajudar famílias sírias a reconstruir suas vidas. Doe agora mesmo e salve vidas.
 
Posted: 19 Mar 2020 10:43 AM PDT
Profilaxia pré-exposição é mais uma ferramenta contra a transmissão do HIV. Foto: UNAIDS
Profilaxia pré-exposição é mais uma ferramenta contra a transmissão do HIV. Foto: UNAIDS
Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS (UNAIDS) elogiou o anúncio feito pelo governo britânico no domingo (15) de disponibilizar o medicamento preventivo contra o HIV para pessoas mais vulneráveis em todo o país, como parte dos esforços de acabar com a transmissão até 2030.
“É definitivamente a coisa certa a se fazer”, disse Winnie Byanyima, diretora-executiva do UNAIDS. “A PrEP (Profilaxia Pré-Exposição) foi avaliada em diferentes faixas etárias entre homens gays e outros homens que fazem sexo com homens, mulheres trans, homens e mulheres heterossexuais e pessoas que usam drogas. Em cada um desses contextos, os dados são claros: a PrEP impede o HIV e deve ser disponibilizada a todos que precisam.”
Desde 2017, a PrEP esteve disponível na Inglaterra como parte do estudo Impact, que registrou cerca de 20.000 participantes. O governo se comprometeu a investir 16 milhões de libras de 2020 a 2021 para a implantação da PrEP através do Serviço Nacional de Saúde, começando em abril de 2020.
Acredita-se que a disponibilidade da PrEP através do estudo Impact tenha contribuído para a queda de novas infecções por HIV entre gays e outros homens que fazem sexo com homens em toda a Inglaterra.
Estima-se que novas infecções entre gays e outros homens que fazem sexo com homens tenham caído 71% em relação ao pico em 2012. Esforços estão sendo feitos para melhorar a disponibilidade da PrEP, como parte de um serviço abrangente de saúde sexual, para outros grupos que poderiam se beneficiar.
O Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda do Norte acelerou sua resposta ao HIV e já alcançou as metas 90–90–90. Das 103.800 pessoas vivendo com HIV no Reino Unido em 2018, 93% foram diagnosticadas; entre as pessoas diagnosticadas, 97% tiveram acesso ao tratamento; das pessoas em tratamento, 97% tinham carga viral indetectável, o que significa que o vírus não é transmitido sexualmente.
 
Posted: 19 Mar 2020 09:48 AM PDT
Agências da ONU recebem famílias de refugiados reassentados no Rio Grande do Sul. Foto: ASAV/Matheus Kiesling
Agências da ONU recebem famílias de refugiados reassentados no Rio Grande do Sul. Foto: ASAV/Matheus Kiesling
À medida que os países reduzem drasticamente a entrada em seus territórios devido à crise global da COVID-19 e são introduzidas restrições às viagens internacionais, as ações para o reassentamento de refugiados estão sendo seriamente afetadas.
Além disso, a Agência das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) e a Organização Internacional para as Migrações (OIM) temem que viagens internacionais possam aumentar a exposição dos refugiados ao novo coronavírus.
Como resultado, OIM e ACNUR estão tomando medidas para suspender as viagens para o reassentamento de refugiados. Esta é uma medida temporária, a ser aplicada apenas até quando for necessário.
Lembrando que o reassentamento é uma medida que salva vidas, ACNUR e OIM convocam os Estados a trabalhar em estreita colaboração com as Nações Unidas para garantir que as transferências possam continuar nos casos urgentes mais graves, quando possível.
A suspensão entrará em vigor nos próximos dias, enquanto as duas agências tentarão concluir as transferências dos refugiados que já cumpriram todas as formalidades de viagem para chegar aos seus destinos.
O reassentamento é um recurso vital para refugiados particularmente vulneráveis, e a OIM e o ACNUR continuarão seu trabalho nos países anfitriões, em colaboração com todos os parceiros relevantes para garantir que o processamento dos casos continue.
As agências também anunciaram que manterão contato próximo com os próprios refugiados e com todas as agências que trabalham para apoiar o uso do reassentamento como uma medida de proteção fundamental.
Ambas as agências disseram esperar que possam retomar completamente as viagens de reassentamento assim que a prudência e a logística permitirem.
 
Posted: 19 Mar 2020 07:44 AM PDT
UNAIDS e UNV assinam acordo para ampliar cooperação
UNAIDS e UNV assinam acordo para ampliar cooperação. Foto: UNAIDS
UNAIDS e o Programa de Voluntários das Nações Unidas (UNV) assinaram um memorando de entendimento a fim de estreitarem a colaboração entre as duas organizações. UNAIDS e UNV trabalharão juntos para promover o voluntariado e para engajar os voluntários a apoiarem as pessoas que vivem e são afetadas pelo HIV.
De acordo com Tim Martineau, diretor executivo interino para Gestão e Governança do UNAIDS, os voluntários têm desempenhado um papel crítico na resposta ao HIV desde os primeiros dias da epidemia. “O UNAIDS reconhece a sua importância, valoriza o seu envolvimento e continuará a apoiar a sua contribuição para unir esforços globais para acabar com a AIDS”, explicou.
Nos últimos 10 anos, 97 voluntários das Nações Unidas serviram ao UNAIDS em 36 países, contribuindo para acabar com as novas infecções por HIV, garantir que todos as pessoas que vivem com HIV tenham acesso ao tratamento, proteger e promover os direitos humanos e produzir dados para auxiliar na tomada de decisões.
Segundo Olivier Adam, o coordenador executivo do UNV, o HIV é muito mais que um problema de saúde. “É uma questão de desenvolvimento e justiça social, que atravessa vários Objetivos do Desenvolvimento Sustentável. É aqui que entra o UNV — nossos voluntários estão em uma
posição única para envolver as pessoas e cumprir a Agenda 2030 por meio da implementação global, regional, nacional e comunitária” afirmou
Adam.
Uma experiência no Nepal
O voluntário internacional Tobias Volz trabalhou no escritório nacional do UNAIDS no Nepal, Butão e Bangladesh em 2018, e ajudou a desenvolver e implementar o Live2Luv – uma mídia social que possibilita que os jovens no Nepal expressem suas preocupações e façam perguntas sobre dúvidas e tabus relacionados à saúde sexual e reprodutiva.
“O Live2Luv se esforça para alcançar um ambiente em que os jovens nepaleses possam fazer perguntas abertamente sobre sexo, sexualidade e contracepção e obter as respostas certas. Como os adolescentes precisam ter acesso a uma educação sexual abrangente e apropriada para a idade, nesse movimento liderado por jovens, os jovens professores educarão e inspirarão outros jovens” explicou Volz.
Uma experiência na China
O voluntário Tian Liang trabalhou recentemente como oficial de comunicação no escritório do UNAIDS na China. Liang explicou “o UNV me deu uma excelente oportunidade de usar minhas habilidades profissionais para conscientizar as pessoas sobre a resposta à AIDS, contribuindo para eliminar as incompreensões sobre a AIDS”.
 
Posted: 19 Mar 2020 07:30 AM PDT
Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS). Foto: ONU/Elma Okic
Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS). Foto: ONU/Elma Okic
Apenas 60 dias após a sequência genética da COVID-19 ser compartilhada pela China, o primeiro teste de vacina foi iniciado, disse o chefe de saúde da ONU na quarta-feira (18), chamando este fato de “uma conquista incrível” e instando o mundo a manter “o mesmo espírito de solidariedade” do combate ao ebola.
Atualizando jornalistas na coletiva de imprensa regular em Genebra, o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, disse que mais de 200 mil casos do novo coronavírus foram relatados no mundo e mais de 8 mil mortes foram registradas.
Ele explicou que, como vários pequenos testes da vacina contra o coronavírus com diferentes metodologias podem não fornecer as evidências necessárias, a OMS e os parceiros estão organizando um estudo para comparar tratamentos não testados em vários países.
“Este grande estudo internacional foi projetado para gerar os dados robustos de que precisamos para mostrar quais tratamentos são mais eficazes”, disse o chefe da OMS. “Chamamos este estudo de Solidariedade”.
Até o momento, Argentina, Bahrein, Canadá, França, Irã, Noruega, África do Sul, Espanha, Suíça e Tailândia confirmaram sua participação.
“Para suprimir e controlar as epidemias, os países devem isolar, testar, tratar e rastrear”, disse ele, caso contrário “as cadeias de transmissão podem continuar em um nível baixo e ressurgir quando as medidas físicas de distanciamento forem levantadas”.

‘Águas inexploradas’

Uma semana depois de a COVID-19 ter sido declarada uma pandemia, os casos continuam a aumentar, aproximadamente metade da população estudantil do mundo não frequenta a escola, os pais estão trabalhando remotamente quando possível, as fronteiras foram fechadas e as vidas mudadas.
“Essas são águas desconhecidas para todos nós”, disse Henrietta Fore, diretora-executiva do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF). “No UNICEF, estamos combatendo um novo vírus, desmascarando mitos e combatendo desinformação, enquanto cuidamos do bem-estar de nossa equipe e de nossas próprias famílias”.
O UNICEF está ajudando a impedir a propagação do vírus entre as comunidades nos países afetados, compartilhando informações precisas sobre como manter as famílias seguras e mitigando o impacto do surto no acesso das crianças à saúde, educação e serviços sociais.
“Agora, mais do que nunca, contamos com nossos doadores para continuar apoiando nossa missão para aqueles que não têm nada e ninguém – apesar desses tempos difíceis”, disse Fore.

Secretariado da ONU

Enquanto o mundo embarca na Década de Ação para os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), Mona Juul, presidente do Conselho Econômico e Social das Nações Unidas (ECOSOC), enfatizou: “devemos sempre garantir que a saúde e a segurança das pessoas sejam nossa prioridade”.
E à luz da pandemia da COVID-19, ela decidiu adiar a Plenária da Juventude UN75 e o Fórum da Juventude do ECOSOC, e propôs o cancelamento de todas as reuniões do ECOSOC nas próximas oito semanas.
“Dada a situação em rápida evolução, é claro que precisamos permanecer flexíveis”, disse ela, observando que o ECOSOC está explorando opções e soluções virtuais.
Enquanto isso, o porta-voz do secretário-geral da ONU anunciou que conduziria os briefings diários à imprensa remotamente, pois o Serviço de Segurança e Proteção das Nações Unidas em Viena relatou na quarta-feira que 95% da equipe de funcionários estava trabalhando online.

Situação da população sem-teto

Ao mesmo tempo, com os governos de todo o mundo pedindo para as pessoas ficarem em casa de forma a impedir a propagação da COVID-10, uma especialista da ONU lembrou aqueles que não têm casa, dizendo que estes devem ter acesso garantido a moradias adequadas.
“Mais do que nunca, um lar é uma questão de vida ou morte”, disse Leilani Farha, relatora especial da ONU sobre moradias adequadas, acrescentando que esta se tornou “a linha de frente da defesa contra o coronavírus”.
Ela explicou que cerca de 1,8 bilhão de pessoas em todo o mundo vivem em situação de rua e moradias extremamente inadequadas, geralmente em condições de superlotação, sem acesso à água e ao saneamento – tornando-as particularmente vulneráveis.
A especialista instou os Estados a “tomar medidas extraordinárias” para garantir o direito à moradia para que todos possam se proteger contra a pandemia.
Alguns países já avançaram, inclusive colocando moratórias em despejos ou adiando pagamentos de hipotecas para as pessoas afetadas pelo vírus, enquanto outros aumentaram o acesso a espaços para saneamento e abrigo de emergência para os sem-teto.
“Ao garantir o acesso a moradias seguras com saneamento adequado, os Estados não apenas protegerão a vida das pessoas sem-teto ou que vivem em assentamentos informais, mas ajudarão a proteger a população do mundo inteiro, achatando a curva da COVID-19”, concluiu a especialista da ONU.
 
Posted: 19 Mar 2020 06:34 AM PDT
Diretora da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS/OMS), Carissa F. Etienne. Foto: UNIC Rio/Brenno Felix
Diretora da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS/OMS), Carissa F. Etienne. Foto: UNIC Rio/Brenno Felix
A diretora da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), Carissa F. Etienne, pediu na quarta-feira (18) que todos os países das Américas adotem medidas urgentes para reorganizar seus serviços de saúde e proteger profissionais para que possam atender com segurança pacientes infectados pelo novo coronavírus e salvar vidas.
“A mensagem é clara: agora é a hora de os países aumentarem sua capacidade de detectar casos, cuidar de pacientes e garantir que os hospitais tenham o espaço, suprimentos e funcionários necessários para prestar os atendimentos”, afirmou Etienne durante sua teleconferência semanal com os ministros da Saúde da Região das Américas.
Etienne encorajou os líderes da saúde a envolverem cidadãos e outros setores no apoio às ações de saúde pública. “Se todos colaborarem, não é tarde demais para conter a situação, achatar a curva epidêmica e, assim, evitar sobrecarregar os serviços de saúde para que possam oferecer os cuidados necessários a todas as pessoas que precisam.”
Desde o início da epidemia de COVID-19, em 31 de dezembro de 2019, até 17 de março de 2020, foram registrados 191.127 casos e 7.807 mortes em todo o mundo. A maioria dessas mortes ocorreu na China, Itália, Irã, Espanha e França. Até terça-feira (17), 37 países e territórios das Américas notificaram 5.944 casos e 19 mortes em função da doença.
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), dados recentes indicam que 81% dos casos de COVID-19 são relativamente leves; 14% evoluem para doenças mais graves; e cerca de 5% se tornam críticos, exigindo tratamento de apoio, como oxigênio e ventilação mecânica. Idade avançada e condições médicas pré-existentes são fatores de risco para casos graves.
O aumento do fluxo de pacientes que necessitam de atenção médica para a COVID-19 pode sobrecarregar a capacidade dos hospitais de prestar atendimento a todos que precisam. Aumentos acentuados de doenças críticas já esgotaram tanto os suprimentos biomédicos quanto os profissionais em alguns países.
Por esse motivo, Etienne incentivou hospitais a desenvolverem planos de emergência e garantirem que profissionais de saúde tenham o equipamento de proteção individual e o treinamento necessários para prevenir a infecção. “Profissionais de saúde são a primeira linha de defesa contra essa pandemia. Precisamos protegê-los para que eles possam cuidar de todos nós”, ressaltou a diretora da OPAS.
Até o momento, não há tratamento específico para a COVID-19. A implementação de terapias de apoio oportunas, eficazes e seguras (oxigênio, hidratação e alívio da febre e da dor) é a pedra angular da terapia para os pacientes que desenvolvem manifestações graves da doença.
Especialistas da OPAS estão trabalhando junto aos ministérios da Saúde das Américas para preparar os serviços de saúde de seus países para lidar com o aumento do fluxo de pacientes e fortalecer a prevenção e controle de infecções.
“O curso da pandemia dependerá de quais medidas os países adotarão”, disse Etienne. A diretora da OPAS detalhou a possibilidade de três cenários nos países da região: clusters (aglomerado de casos) relacionados a casos importados; surtos em “espaços fechados”, como casas de repouso; e transmissão comunitária.
Muitos países já adotaram medidas para reduzir a taxa de transmissão e proteger suas populações, desde declarar estado de emergência a fechar fronteiras, escolas e universidades, além promover o distanciamento social.
“A OPAS continua trabalhando junto aos países para fornecer apoio e responder a essa pandemia”, destacou Etienne. “É esperado que todos os países relatem casos. Precisamos reduzir a transmissão, achatar a curva e evitar situações que podem sobrecarregar nossos hospitais e nossas equipes de saúde para salvar vidas.”
Leia também:
Folha informativa sobre COVID-19 (em português)
Relatórios de situação da OMS (em inglês)
 

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